[Opinião] Elinaldo no Camaforró: Até o Camarote do Governo Parou pra Ver

Por Anderson Santos*

A presença de Elinaldo no Camaforró ontem à noite foi mais do que marcante — foi simbólica. Em meio a uma festa tradicional que, apesar das dificuldades, segue grandiosa por si só, o ex-prefeito foi recebido com entusiasmo, aplausos e muitos pedidos de foto. Barraqueiros deixaram suas bancas, o povo formou fila e até o camarote do governo parou para observar a movimentação em torno dele. Foi uma recepção calorosa que não passou despercebida nem entre os mais críticos.

Mas nem tudo foi festa. O Camaforró deste ano começou sob o peso de uma gestão atrapalhada. O primeiro dia foi visivelmente esvaziado, consequência direta das confusões envolvendo os barraqueiros, da polêmica sobre a obrigatoriedade da venda de uma única marca de cerveja, e de uma estrutura urbana despreparada — lama no chão, asfaltos mal acabados e acessos comprometidos. Tudo isso gerou insatisfação, desgastou a imagem da festa e prejudicou comerciantes e frequentadores.

Mesmo assim, o Camaforró resiste. É uma celebração cultural que, ao longo dos anos, se tornou grande demais para ser diminuída por erros administrativos. E foi nesse ambiente que Elinaldo caminhou com firmeza e foi recebido com o carinho de quem já fez, conhece e sabe como resolver.

A noite de ontem mostrou que os ventos estão mudando. O povo não esquece quem esteve presente nos momentos certos. Se o momento político exige uma nova direção, Camaçari deu ontem um sinal claro de que está pronta para isso.

Já conseguimos ouvir os sinais de 2026. E seus ventos estão trazendo Eli.

*Anderson Santos, pedagogo e pensador político