“Quem sair por último, apaga a luz.” A frase, comum em despedidas silenciosas, virou símbolo da debandada dentro da Coordenação de Políticas para a Juventude da Bahia. Em apenas alguns meses, 15 servidores foram exonerados ou pediram afastamento. O motivo? A gestão de Nivaldo Millet, apontada por ex-funcionários como autoritária, despreparada e marcada por denúncias de assédio.
O clima interno é de terra arrasada. Fontes relatam perseguições políticas a indicações técnicas e uma postura vaidosa por parte do coordenador, que costuma dizer ser “o menino do governador”. A fala, que deveria transmitir confiança, virou motivo de piada diante da crise instalada — com direito a montagens nas redes sociais que retratam Millet como um eliminado do BBB.
O problema, no entanto, extrapola o ambiente institucional. A juventude baiana, historicamente mobilizadora e decisiva no cenário político, tem se sentido ignorada e excluída das decisões que deveriam ser pensadas com — e para — ela.
Pesquisas recentes mostram que os jovens têm peso decisivo nas eleições. E não é por acaso: nas últimas eleições estaduais, os dados indicaram que a maioria das juventudes baianas acompanhou o projeto político liderado pelo ex-prefeito ACM Neto, adversário direto do atual governador Jerônimo Rodrigues. A vitória governista veio, mas com um alerta: a juventude está longe de ser um grupo consolidado na base.
A crise na Coordenação, se negligenciada, pode custar caro ao governo. Em um cenário onde a reeleição depende do engajamento de setores populares e da renovação do diálogo com as juventudes, ignorar os sinais pode significar perder uma geração inteira para o desinteresse político — ou pior: para o campo adversário.

