Número de crianças e adolescentes baleados em Salvador e RMS aumenta quase 50%, aponta Instituto

Os dados do Instituto Fogo Cruzado revelam um crescimento da violência armada contra crianças e adolescentes em Salvador e na Região Metropolitana neste ano. Entre 1º de janeiro e 29 de setembro de 2025, foram 4 crianças baleadas, sendo 1 morta e 3 feridas; 52 adolescentes baleados, com 34 mortos e 18 feridos. No mesmo período de 2024, os números foram menores, 3 crianças feridas; 35 adolescentes baleados, dos quais 27 morreram e 8 ficaram feridos. O comparativo evidencia um aumento de 49% no total de adolescentes atingidos por disparos de arma de fogo na capital e região, além de um crescimento nas mortes e ferimentos entre crianças.
O levantamento integra o monitoramento contínuo realizado pelo Instituto Fogo Cruzado, em parceria com a Iniciativa Negra, que mapeia e divulga dados sobre a violência armada nas principais regiões metropolitanas do país.

Recentemente, a morte do adolescente Caíque dos Santos Reis, 16 anos, em uma ação policial no bairro de São Marcos, causou revolta e protesto da população. Moradores relatam que ele foi baleado após render-se, com as mãos na cabeça, sem oferecer risco às forças de segurança.

Para Carol Santos, diretora executiva da Organização Iniciativa Negra e coordenadora do Observatório de Segurança da Bahia, os dados revelam a escalada da violência letal sobre jovens nas periferias da capital baiana, reforçando a urgência de políticas públicas que garantam proteção, responsabilização e justiça. “Este é o retrato cruel de uma política de segurança que continua a tratar vidas negras como descartáveis. Enquanto não houver responsabilização institucional e um pacto real de proteção à juventude negra, seguiremos denunciando e exigindo reparação”, afirma Carol Santos, que também é conselheira do Comitê Gestor do Plano Juventude Negra Viva e do Conselho Nacional dos Direitos Humanos.

A diretora comentou a morte de Caíque dos Santos. “Com esse caso, mais uma família chora uma vida perdida, e mais uma comunidade se revolta contra a inacreditável lógica da letalidade policial seletiva. Além disso, a gente precisa também fazer o debate sobre o futuro de país, porque se estão destruindo a nossa juventude, se o Estado, a partir de uma política de morte está destruindo a juventude do Brasil, sobretudo a juventude negra, a gente também está interrompendo um futuro de país, isso é preocupante”.