Especialista orienta como escolher suplementos alimentares com segurança

Segundo dados da Anvisa, dois em cada três produtos avaliados apresentam algum tipo de irregularidade; o uso inadequado pode trazer riscos sérios à saúde

A demanda por suplementos alimentares no Brasil tem aumentado ao longo dos anos. Segundo dados da ABIAD (Associação Brasileira da Indústria de Alimentos para Fins Especiais e Suplementos), em 2023, os suplementos alimentares já estavam presentes em 59% das residências brasileiras. Em 2025, entre janeiro e setembro de 2025, o consumo aparente do setor cresceu 4,6%, e as importações totalizaram US$ 854 milhões. 

Apesar da grande demanda por suplementação, especialmente entre atletas e pessoas com objetivos estéticos ou de performance, o mercado de suplementos no Brasil apresenta alto índice de irregularidades. Dois em cada três produtos avaliados pela Anvisa apresentam irregularidades, como falhas em ingredientes, doses e validade. A professora do curso de Nutrição da Unijorge e especialista em nutrição esportiva, Ana Paula Goulart, explica alguns pontos importantes para minimizar riscos e garantir a segurança.

A professora alerta que é preciso estar atento se o produto tem regularização junto à ANVISA e rotulagem correta. O rótulo do suplemento deve trazer a expressão “suplemento alimentar” e ter todas as informações obrigatórias: lista de ingredientes, forma farmacêutica, prazo de validade, lote, fabricante/importador. Uma dica é consultar diretamente o portal da ANVISA para verificar se o produto consta como ativo/regularizado.

“As pessoas devem evitar suplementos com origem duvidosa. Devem dar preferência à compra em lojas especializadas e evitar os que são vendidos em canais pouco confiáveis, para reduzir o risco de adulterações ou contaminações”, reforça a especialista.

Outras certificações podem ajudar a atestar a procedência, como selos de qualidade ou certificados de entidades reguladoras, como IFOS, MEG-3, Creapure, entre outros, que comprovam que o que está no rótulo realmente está na cápsula ou pó, sem contaminação ou excesso de metais pesados, microrganismos ou substâncias proibidas.

De acordo com Ana Paula, a escolha do suplemento não pode se basear em marketing, promessas ou preço. Deve haver racionalidade, transparência, orientação profissional e verificação criteriosa das informações. “Como nutricionista esportiva, é fundamental orientar os pacientes sobre esses aspectos e priorizar sempre a segurança, além dos resultados”, enfatiza.

E o assunto deve ser levado a sério. Os riscos do uso de suplementos adulterados ou irregulares podem ser graves, como lesões hepáticas, renais ou comprometimento do fígado, pois suplementos irregulares contêm substâncias não declaradas que sobrecarregam o órgão.

O consumo desses produtos irregulares pode causar ainda problemas cardiovasculares, como taquicardia, arritmias e hipertensão, com risco aumentado dependendo da substância adicionada irregularmente; pode provocar toxicidade por excesso de vitaminas e minerais, que, mesmo sendo elementos considerados benignos, como vitaminas lipossolúveis A, D, E e K, podem causar efeitos adversos quando administrados em excesso, especialmente em fórmulas adulteradas ou mal rotuladas.

 O perigo aumenta quando há contaminação com substâncias proibidas ou desconhecidas,  como estimulantes, hormônios, drogas ou analgésicos não declarados, o que eleva o risco de intoxicação, dependência e efeitos adversos imprevisíveis. 

“O ideal é que o nutricionista avalie a real necessidade do suplemento, oriente exames laboratoriais prévios e recomende marcas confiáveis, além de orientar a ingestão correta, desaconselhar automedicação e uso indiscriminado, e monitorar a resposta do organismo”, acrescenta. 

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