[Opinião] Fechamento do CASM: Essa conta tem dono

Por Anderson Santos*

O fechamento do CASM não é uma decisão técnica. É uma decisão política.

O Centro de Atenção à Saúde da Mulher nasceu de uma escolha política da gestão do ex-prefeito Elinaldo, que compreendeu a necessidade de um equipamento especializado para atender as mulheres de Camaçari. Da mesma forma, seu fechamento ou esvaziamento também decorre de uma escolha política da atual administração. O que foi criado pela vontade de ampliar direitos está sendo desmontado pela vontade de estabelecer outras prioridades.

O CASM é uma conquista histórica das mulheres. Ali são realizados atendimentos especializados, prevenção, diagnóstico, acompanhamento psicológico e acolhimento de mulheres em situação de vulnerabilidade social e vítimas de violência doméstica.

Por isso, a população tem o direito de cobrar explicações da gestão municipal. O prefeito Caetano precisa justificar por que um equipamento construído para atender exclusivamente as mulheres deixou de ser prioridade.

Também chama atenção a postura da deputada federal Ivoneide Caetano. Seu discurso público frequentemente é marcado pela defesa dos direitos das mulheres. Entretanto, diante do possível fechamento de um dos principais equipamentos voltados à saúde feminina do município, a população espera ver essa defesa traduzida em ações concretas. Em política, coerência entre discurso e prática é um requisito fundamental.

A Policlínica possuirá uma função importante dentro da rede de saúde, mas não substitui a missão específica do CASM. São estruturas diferentes, com propósitos diferentes e públicos diferentes.

O CASM não pertence a governos, partidos ou gestores. Ele pertence à história de luta das mulheres de Camaçari. E toda vez que um direito conquistado é reduzido ou enfraquecido, a sociedade tem o dever de questionar, fiscalizar e cobrar responsabilidades.

Quem acredita na saúde integral da mulher precisa defender o CASM. Afinal, fechar um equipamento especializado nunca é apenas uma mudança administrativa. É uma decisão que revela quais são as verdadeiras prioridades de um governo.

*Anderson Santos, pedagogo e estrategista politico