Ao lado de Petrolina, município baiano integra uma região com mais de 680 mil habitantes e se destaca pela força da fruticultura irrigada, produção de manga e uva e presença crescente no mercado internacional
Juazeiro segue ampliando sua dimensão populacional e consolidando sua posição como um dos principais centros urbanos e econômicos do interior da Bahia. A nova estimativa populacional divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), com data de referência em 1º de julho de 2026, aponta que o município alcançou 257.618 habitantes.
O número representa um acréscimo de 1.496 moradores em relação à estimativa de 2025, quando o IBGE apontava 256.122 habitantes para Juazeiro. O avanço é de aproximadamente 0,6% em um ano e mantém a trajetória de crescimento observada após o Censo de 2022, quando foram contabilizados 237.821 habitantes no município.
Na outra margem do Rio São Francisco, Petrolina (PE) chegou a 422.421 habitantes, crescimento de pouco mais de 4 mil moradores em relação ao ano anterior. Somadas, as duas cidades alcançam 680.039 habitantes, formando um dos maiores e mais importantes aglomerados urbanos do interior do Nordeste.
Mais do que uma proximidade geográfica, Juazeiro e Petrolina constituem, na prática, um grande eixo econômico integrado. Separadas pelo Rio São Francisco e ligadas pela Ponte Presidente Dutra, as duas cidades compartilham mercados de trabalho, comércio, serviços, educação, saúde e, principalmente, uma das mais importantes cadeias de agricultura irrigada do Brasil.
Juazeiro: crescimento impulsionado por uma potência do agro
No lado baiano do Vale, Juazeiro ocupa posição estratégica nesse processo. O município abriga importantes projetos públicos de irrigação, como Maniçoba, Tourão, Mandacaru, Curaçá e Salitre, que ajudaram a transformar uma região marcada pelo clima semiárido em território de agricultura de alta produtividade e forte inserção no mercado internacional.
Dados da Codevasf mostram a dimensão dessa atividade. Somente os projetos públicos de irrigação vinculados à Superintendência Regional da companhia em Juazeiro produziram, em 2024, mais de 2,2 milhões de toneladas de produtos agrícolas, em uma área cultivada de aproximadamente 32,9 mil hectares, com destaque para culturas como cana-de-açúcar, manga e uva.
Um exemplo da escala produtiva está no Projeto Tourão, localizado em Juazeiro. Com mais de 14 mil hectares cultivados, o perímetro registrou, ainda em 2023, produção superior a 1,6 milhão de toneladas e Valor Bruto da Produção de aproximadamente R$ 240,6 milhões. Além da cana-de-açúcar, o projeto também mantém produção de manga, uva, cebola e melão.
A fruticultura, entretanto, tornou-se uma das grandes marcas econômicas de Juazeiro. A cidade está entre os principais centros brasileiros de produção de manga e ocupa posição de destaque nacional na produção de uvas. Dados divulgados com base no IBGE apontam que Juazeiro possui cerca de 1,98 mil hectares destinados à cultura da uva e figura atualmente como o terceiro maior município produtor da fruta no Brasil.
O desempenho ganha ainda mais relevância quando observado dentro do polo Petrolina-Juazeiro. Segundo a Codevasf, aproximadamente 97% das uvas e 87% das mangas exportadas pelo Brasil têm origem no polo produtivo regional, demonstrando a importância do Vale do São Francisco para a balança comercial da fruticultura brasileira.
A capacidade de produzir durante diferentes períodos do ano, favorecida pelo clima, pela disponibilidade de água do Rio São Francisco e pelo uso intensivo de tecnologia de irrigação e manejo, permitiu à região alcançar mercados exigentes da Europa, dos Estados Unidos e de outros destinos internacionais.
Em 2026, o setor ganhou novas perspectivas comerciais. A retirada de tarifas para a entrada da uva brasileira na União Europeia ampliou a competitividade da produção do Vale. Juazeiro aparece diretamente entre os municípios beneficiados pela abertura, justamente por sua expressiva produção e pela estrutura empresarial construída em torno da fruticultura irrigada.
Agro movimenta muito além das fazendas
A força do campo repercute diretamente na área urbana. Produção, beneficiamento, embalagem, transporte, armazenamento, comércio exterior, assistência técnica, máquinas, fertilizantes e serviços formam uma extensa cadeia que gera empregos e movimenta a economia de Juazeiro.
A cidade também possui posição estratégica na comercialização de hortifrutigranjeiros. A Ceasa de Juazeiro está entre os grandes entrepostos do país em movimentação de produtos, recebendo mercadorias de diferentes áreas produtoras e funcionando como importante centro de distribuição para diversas regiões brasileiras.
Esse dinamismo ajuda a explicar por que Juazeiro ultrapassa cada vez mais a condição de polo regional tradicional. O município funciona como centro de serviços para uma extensa área do Norte da Bahia e mantém uma relação econômica praticamente indissociável de Petrolina.
Um polo de 680 mil habitantes às margens do São Francisco
Os novos números populacionais reforçam essa dimensão. Consideradas conjuntamente, Petrolina e Juazeiro já possuem população superior à de diversas capitais brasileiras e concentram mais de 680 mil habitantes em duas cidades separadas apenas pelo São Francisco.
Petrolina possui atualmente maior população, mas Juazeiro mantém papel fundamental na formação econômica, logística e produtiva desse território. É no município baiano que estão alguns dos projetos de irrigação responsáveis pela transformação econômica do Vale e uma estrutura produtiva que tornou o sertão exportador de frutas para diferentes partes do mundo.
O crescimento para 257.618 habitantes, portanto, vai além de uma estatística demográfica. Ele ocorre em uma cidade que se fortaleceu como polo de comércio e serviços, sede regional de instituições públicas, centro universitário e, sobretudo, uma das referências brasileiras da agricultura irrigada.
As estimativas populacionais do IBGE possuem ainda efeito direto na administração pública. Os números são utilizados como referência para indicadores econômicos e sociais e constituem um dos parâmetros considerados pelo Tribunal de Contas da União (TCU) na definição dos coeficientes utilizados para os repasses do Fundo de Participação dos Municípios (FPM).
Às margens do Velho Chico, Juazeiro cresce em população ao mesmo tempo em que reafirma sua vocação econômica. Integrada a Petrolina, forma uma região urbana de mais de 680 mil habitantes. Ao mesmo tempo, consolida-se como uma das grandes forças do interior da Bahia e como parte fundamental de um dos mais importantes polos de fruticultura irrigada do mundo.
Foto: Acervo/BSF
