ACM Neto coloca Ilhéus e cacau entre prioridades para novo ciclo de desenvolvimento no Sul da Bahia

Candidato intensifica presença na região e defende tecnologia, produtividade e agregação de valor; setor busca superar gargalos históricos e transformar potencial cacaueiro em mais emprego e renda

O candidato ao Governo da Bahia, ACM Neto (União Brasil), colocou Ilhéus e a região cacaueira do Sul do estado entre as áreas estratégicas de sua proposta de desenvolvimento econômico a partir de 2027. O projeto passa pelo fortalecimento da produção de cacau, incorporação de novas tecnologias, assistência ao produtor e estímulo à industrialização e à produção de chocolates de maior valor agregado.

A atenção à região também vem sendo demonstrada pela agenda de campanha. Somente durante o mês de agosto, Neto esteve três vezes no Sul da Bahia em um intervalo de oito dias, mantendo contato com moradores, produtores e lideranças políticas e empresariais. A estratégia apresentada pelo candidato prevê maior atenção às vocações econômicas do interior e, no Sul baiano, o cacau ocupa posição central.

Entre as iniciativas defendidas está o fortalecimento da Rota do Cacau e do Chocolate, discussão que também vem sendo conduzida pelo prefeito de Ilhéus, Valderico Júnior. O gestor tem defendido maior aproximação entre o conhecimento científico, os produtores e as tecnologias utilizadas em outras regiões agrícolas da Bahia, inclusive no moderno agronegócio do Oeste.

A ideia é aumentar a produtividade das propriedades, modernizar o manejo e, principalmente, fazer com que uma parcela maior da riqueza gerada pelo cacau permaneça na região. Em vez de concentrar a atividade apenas na comercialização da amêndoa, o objetivo é fortalecer beneficiamento, indústria chocolateira, marcas de origem, turismo e outros negócios ligados à cadeia produtiva.

Uma lavoura em recuperação, mas ainda cercada de desafios

A cacauicultura continua sendo uma das atividades agrícolas mais importantes da Bahia. Dados oficiais apontaram produção estadual superior a 137 mil toneladas e Valor Bruto da Produção estimado em aproximadamente R$ 6,5 bilhões em 2025, demonstrando a dimensão econômica da cultura.

O cenário, entretanto, ainda exige atenção. A lavoura do Sul baiano carrega consequências da crise provocada pela vassoura-de-bruxa, que derrubou a produção e atingiu profundamente a economia regional a partir do final dos anos 1980.

Atualmente, entre os desafios estão a produtividade ainda desigual entre propriedades, necessidade de renovação das plantações, acesso a crédito e assistência técnica, custos de produção, oscilações no preço internacional, importação de amêndoas e riscos fitossanitários. A ameaça da monilíase, doença ainda mais agressiva para os frutos do cacaueiro, também mantém autoridades e produtores em alerta.

Por outro lado, pesquisas e experiências conduzidas pela CEPLAC demonstram que a utilização de materiais genéticos mais produtivos, manejo adequado, tecnologia e renovação das áreas podem elevar significativamente a produtividade. O grande desafio é fazer essas soluções chegarem de maneira mais ampla, especialmente aos pequenos e médios produtores.

Ilhéus no centro da estratégia

Ilhéus possui condições naturais para assumir protagonismo nesse novo momento. Além da relação histórica com o cacau, o município abriga a CEPLAC, concentra conhecimento técnico e científico e vem ampliando sua presença no mercado de chocolates de origem e no turismo associado à cultura cacaueira.

É nesse ambiente que a proposta defendida por ACM Neto e Valderico Júnior busca conectar campo, tecnologia, pesquisa, indústria e mercado.

Mais do que recuperar o passado de riqueza proporcionado pelo cacau, o desafio é construir uma nova economia cacaueira no Sul da Bahia: moderna, produtiva, sustentável e capaz de agregar valor dentro da própria região.

Para Ilhéus e os municípios produtores, transformar essa vocação histórica em uma cadeia econômica mais forte pode significar novos investimentos, geração de empregos e aumento da renda no campo. E, ao colocar o cacau entre as prioridades de sua agenda para o interior, ACM Neto sinaliza que pretende fazer da recuperação e modernização da lavoura uma das frentes de desenvolvimento econômico do Sul da Bahia a partir de 2027, caso seja eleito governador.