Prefeitura de Salvador anuncia implementação de bebetecas antirracistas em mais 20 escolas municipais

Mais 20 unidades de ensino de Salvador serão contempladas com bebetecas antirracistas, cujas instalações terão acervos literários que visam aproximar crianças na primeira infância de diferentes autores, personagens e histórias relacionadas às culturas afro-brasileira e africana. A iniciativa foi anunciada pelo prefeito Bruno Reis nesta quinta-feira (3) e amplia as políticas de igualdade e de combate à discriminação racial na capital baiana.

Em dezembro de 2024, a gestão municipal havia inaugurado a bebeteca Curumim, na Creche e Pré-Escola Primeiro Passo Periperi, no Subúrbio, que serviu como projeto-piloto e referência nacional. Agora, entre as novas unidades a serem beneficiadas pela ação estão o Centro Municipal de Educação Infantil (Cmei) Baronesa de Sauípe (Bonfim), o Cmei Yolanda Pires (Fazenda Grande do Retiro), o Cmei de Amaralina, o Cmei Álvaro Bahia (Paripe) e o Cmei Olga Benario (Doron).

A lista ainda contempla os Cmei Unidos de Castelo Branco (Castelo Branco) e Deputado Lourival Evangelista Costa (Plataforma), além da Creche e Pré-Escola Primeiro Passo Cassange, da Creche e Pré-Escola Primeiro Passo Nova Brasília, da Escola Municipal João Lino (Centro Histórico), entre outros espaços de ensino.

O prefeito destacou que todo o processo de seleção contou com a participação dos próprios gestores escolares, com apresentação de projetos. A seleção foi realizada por comissão constituída especificamente para essa finalidade, em conformidade com os critérios estabelecidos no edital.

“Eu digo sempre: tudo que começa bem, termina bem. É fundamental que a gente introduza a cultura afro-brasileira desde o início, ainda na primeira infância, para que as crianças, até as que não são negras, possam ter essa consciência e essa formação de combater as desigualdades sociais. Com isso, efetivamente, a gente vai promover a verdadeira equidade, que é o objetivo do nosso trabalho”, disse.

Os investimentos para implantação das bebetecas são provenientes do Programa Dinheiro Direto na Escola Soteropolitana (PDDS), iniciativa da Prefeitura voltada à descentralização de recursos para projetos estratégicos. Cada unidade beneficiada receberá cerca de R$ 60 mil para aquisição de mobiliário, acervo literário e elementos culturais.

Segundo o secretário municipal da Educação, Thiago Dantas, a proposta é que os espaços funcionem de forma permanente como ambientes de leitura e aprendizagem, incorporando a educação antirracista à rotina das unidades municipais.

“É algo que é inerente à educação, sendo um pano de fundo de todo o trabalho, de toda a atividade educacional, incorporar essa premissa. Salvador vem se destacando em diversos indicadores relacionados à educação infantil, como na oferta de vagas em creche e na pré-escola. Vencido o desafio do acesso, a meta agora é qualificar essa oferta, e a bebeteca antirracista vem justamente para fortalecer o trabalho desenvolvido”, afirmou.

Também presente na solenidade, a secretária municipal da Reparação, Isaura Genoveva, destacou o alcance social da expansão do projeto. “Criar essas bebetecas é fazer revolução e reparação, é podermos ocupar os espaços e estar na comunidade. São essas crianças que serão nosso futuro. É com elas que a gente precisa trabalhar para que possamos educar a sociedade e trazer a compreensão de que o racismo é um crime inafiançável e que não deve mais ser perpetrado”, afirmou.

Diretora da Escola Municipal João Lino, uma das unidades selecionadas, Rita de Cássia celebrou a construção de uma política de educação infantil que considere as dimensões social e racial.

“São 20 escolas que representam 20 grandes passos na direção de uma educação infantil, social e racialmente referenciada para a cidade. Salvador tem uma população que se autodeclara majoritariamente negra. E isso é identidade racial. Parabenizo a Prefeitura pela iniciativa e desejo que essa política siga em ritmo acelerado e alcance as mais de 400 escolas da rede, porque todos os territórios precisam fazer jus a essa diversidade que existe. E a educação pode e deve capitanear esse processo”, ressaltou.

Fotos: Igor Santos / Secom PMS