Iniciativa criada em Petrolina mobiliza recursos para filme “Revoada”, gravado na região

Produtores culturais do Vale do São Francisco agora contam com uma iniciativa diferenciada, aqui na região, que tem como objetivo ampliar as possibilidades de captação e circulação de projetos independentes na área da Cultura. A ARIS, uma consultoria recém-criada em Petrolina, atua na organização estratégica de diversos projetos locais. Um deles é o média-metragem de ficção, “Revoada”, que aborda a emancipação feminina e prevê circulação em festivais, escolas e espaços públicos.

A proposta, na prática, é organizar não apenas os aspectos relacionados à execução da obra, mas também as estratégias para mobilização de recursos, relacionamento com potenciais investidores, contrapartidas e divulgação. Para o produtor cultural e idealizador de “Revoada”, Alex Guterres, contar com uma consultoria especializada representa uma mudança na forma de estruturar e apresentar uma produção audiovisual ao mercado.

Fazer cinema no Brasil é uma tarefa muito difícil. É uma arte que necessita de muitos recursos e sem a equipe certa muitos projetos morrem na praia. Com a ARIS trabalhando conosco, sabemos que vamos poder não só finalizar o filme Revoada, como deixar as portas abertas com possíveis investidores para outros filmes. Isso é um ganho inestimável!“, pontua.

A atuação da ARIS é baseada no PEP, Plano Estratégico Perfeito, metodologia própria estruturada em oito pilares: Planejamento, Engajamento, Recursos, Formação de Parcerias, Execução, Indicadores, Transparência e Oportunidades Comerciais. Na prática, o método busca organizar o projeto desde sua concepção até a prestação de contas e a mensuração dos resultados.

No caso de “Revoada”, o trabalho envolve a estruturação das possibilidades de investimento e das contrapartidas oferecidas às empresas, considerando diferentes perfis de investidores. O projeto tem captação integralmente autorizada pelo Ministério da Cultura, por meio do Art. 18 da Lei Rouanet — mecanismo que permite a empresas destinar parte do Imposto de Renda devido para projetos culturais aprovados e receber, em troca, contrapartidas de visibilidade.

“Na prática, isso significa que o projeto já conta com o aval do governo e com o valor autorizado para captação; o que define sua viabilidade é a adesão dos investidores, que podem participar por meio de cotas de investimento ou de apoio institucional. A estruturação dessas modalidades é o trabalho que a ARIS conduz”, explica Maria Coelho, fundadora da ARIS.

Cinema no Sertão Revoada é uma obra de ficção de aproximadamente 20 minutos, captada e finalizada em resolução 4K, ambientada nas paisagens ribeirinhas e na caatinga de Petrolina/PE. A narrativa acompanha a trajetória de Carolina, uma jovem mulher sertaneja confrontada pelas marcas da violência familiar e pelas estruturas patriarcais do interior.

A produção reúne profissionais com trajetória consolidada no audiovisual regional — o curta “Nuvem Negra”, do diretor de fotografia Flávio Simões de Andrade, foi exibido em 25 festivais e conquistou 16 prêmios; a direção conta com Alex Guterres (roteiro, direção e coordenação geral) e Luciano Peixinho (direção e codireção), ambos com mais de duas décadas de atuação e obras circulando em festivais nacionais e internacionais.

A experiência com “Revoada” ilustra uma das frentes de atuação da ARIS: aproximar produtores culturais e empresas a partir de uma linguagem que considere tanto o valor artístico e social dos projetos quanto os objetivos estratégicos das marcas.

Segundo Maria Coelho, a proposta surgiu justamente da percepção de que muitos produtores possuem projetos relevantes, mas encontram dificuldades para estruturá-los do ponto de vista administrativo, financeiro e comercial.

Não faltam bons projetos no interior, falta ponte. Uma fila de projetos qualificados de um lado, empresas que querem fortalecer a marca do outro. A ARIS estrutura esse encontro: o projeto ganha recursos, a marca ganha visibilidade com retorno mensurável. Quem não é visto não é lembrado; quem é visto com propósito é lembrado pelo motivo certo“, conclui a fundadora da ARIS.

Acesse o site para mais informações: https://aris.api.br/

Foto: Flavio Andrade