[Opinião] Bahia e o ciclo dos 20 anos: quando a esperança encontra a urgência da mudança

Por: Anderson Santos*

A política não obedece a calendários mágicos. Mas a história, às vezes, produz coincidências que merecem ser observadas. E, na Bahia, existe uma especialmente interessante: 1986, 2006 e 2026.

Em 1986, Waldir Pires chegou ao governo representando uma ruptura importante com o grupo político que havia exercido enorme influência sobre a Bahia nas décadas anteriores.

Exatos vinte anos depois, em 2006, uma nova mudança. Jaques Wagner derrotou Paulo Souto e iniciou um ciclo que atravessou cinco governos consecutivos e chega a 2026 ainda no comando do Estado.

A história não se repete por obrigação. Mas o tempo produz desgaste, novas demandas e novas gerações.

E existe uma ironia própria da política: quem um dia representou a mudança, depois de vinte anos no poder, passa inevitavelmente a representar a continuidade.

Agora chegamos ao momento decisivo. Amanhã, os baianos irão às urnas.
E, antes mesmo do resultado, é preciso reconhecer a dimensão da jornada construída por ACM Neto e por todos aqueles que caminharam ao seu lado.

Foi uma campanha de enfrentamento a um grupo que governa a Bahia há duas décadas e que, nesse período, acumulou enorme força política, capilaridade e uma extensa rede de alianças.

Há também uma diferença importante em relação a 2022. Neto continuou demonstrando capacidade de mobilização nas grandes cidades, como Salvador, Feira de Santana e Camaçari, ao mesmo tempo em que sua campanha ampliou sua presença no interior. Grandes atos em cidades como Jequié, Cícero Dantas e Juazeiro ajudaram a dar à campanha uma dimensão territorial ainda maior.

E esse talvez seja um dos grandes símbolos de 2026: ACM Neto não caminhou sozinho. Lideranças, candidatos, prefeitos, vereadores, militantes e milhares de baianos transformaram sua candidatura em um movimento que levou às ruas a defesa da alternância de poder.

É justamente por tudo o que vimos nessa caminhada que nós, que acreditamos nesse projeto, chegamos à véspera da eleição com confiança e esperança na vitória de ACM Neto.

Depois de vinte anos, existe novamente uma força organizada nas ruas defendendo a abertura de um novo ciclo político na Bahia.
Chegou o tempo da decisão.

Esperança é acreditar que uma realidade diferente pode ser construída; urgência é perceber que não queremos continuar esperando. 1986 marcou uma mudança. 2006 marcou outra.

Em 2026, acreditamos que chegou novamente a hora de a Bahia iniciar um novo ciclo, representado por ACM Neto. Amanhã, a decisão pertence ao povo baiano.

*Anderson Santos, pedagogo e pensador político

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