Roberta Roma mantém votação de 2022 e conquista reeleição com mais de 156 mil votos na Bahia

Deputada do PL alcança 156.108 votos, fica entre os dez mais votados para a Câmara no estado e confirma força eleitoral em uma campanha marcada por adversidades e por um cenário político diferente daquele de sua primeira eleição

A deputada federal Roberta Roma (PL) conquistou neste domingo (4) a reeleição para a Câmara dos Deputados com 156.108 votos, equivalentes a 1,88% dos votos válidos para o cargo na Bahia. O resultado colocou a parlamentar entre os dez candidatos a deputado federal mais votados no estado e assegurou seu segundo mandato consecutivo em Brasília.

Mais do que garantir a permanência na Câmara, os números chamam atenção pela estabilidade do eleitorado de Roberta entre duas eleições disputadas em contextos políticos distintos. Em 2022, quando estreou nas urnas, ela recebeu 160.731 votos, terminando em sexto lugar na votação nominal para deputado federal na Bahia. Quatro anos depois, somou 156.108 — apenas 4.623 votos a menos, uma variação negativa de aproximadamente 2,9%.

A comparação ganha relevância diante das circunstâncias que cercaram as duas campanhas. Em 2022, Roberta disputou sua primeira eleição no momento em que seu marido, João Roma, acabava de deixar o Ministério da Cidadania do governo Jair Bolsonaro e concorria ao Governo da Bahia pelo PL. Roma era um dos principais aliados do então presidente no estado e liderava uma chapa majoritária própria, circunstâncias que proporcionavam à candidatura uma estrutura política e eleitoral particular.

Naquele pleito, Roberta conseguiu votos em 417 municípios baianos, segundo levantamento baseado nos dados oficiais do TSE, e foi a candidata mais votada em dez cidades. Salvador, Serrinha, Feira de Santana, Coronel João Sá e Cruz das Almas apareceram entre os municípios que mais contribuíram para os seus 160,7 mil votos.

Em 2026, o ambiente era diferente. Já detentora de mandato, Roberta precisou colocar à prova uma base eleitoral construída ao longo dos quatro anos de atuação parlamentar, enquanto o PL permaneceu no campo de oposição tanto ao governo federal quanto ao Governo da Bahia. Ainda assim, chegou a 156.108 votos e à nona colocação nominal no estado, desempenho que praticamente reproduziu a votação alcançada quatro anos antes.

O resultado indica que a votação de 2022 não ficou restrita às circunstâncias daquela eleição. A manutenção de praticamente 97% dos votos obtidos na estreia sugere a consolidação de uma base própria e de uma estrutura política capaz de atravessar diferentes regiões da Bahia. A campanha voltou a percorrer municípios de diferentes territórios, estratégia conduzida pela deputada, por João Roma e por sua equipe política.

Em Salvador, por exemplo, Roberta ampliou sua votação: passou dos 12.492 votos registrados em 2022 para 16.090 em 2026, crescimento de aproximadamente 29% na capital baiana.

A caminhada eleitoral também foi marcada por episódios que fugiram completamente do roteiro político. Em junho, ainda durante a pré-campanha, Roberta estava entre os passageiros de uma aeronave que transportava integrantes da oposição para uma agenda no sudoeste baiano. O avião sofreu uma despressurização em pleno voo e perdeu altitude rapidamente, obrigando a tripulação a retornar a Salvador. Além dela, estavam na aeronave ACM Neto, João Roma, Angelo Coronel e Nelson Leal. Ninguém ficou ferido.

O episódio mais delicado, porém, ocorreu já na reta final da campanha. Em 26 de setembro, durante agenda em Cruz das Almas, Roberta sentiu fortes dores no peito, recebeu atendimento inicial no município e posteriormente foi transferida para Salvador. A parlamentar foi internada no Hospital Cardio Pulmonar após sofrer um infarto do miocárdio e passou por cateterismo cardíaco.

A internação aconteceu a apenas oito dias da eleição e afastou a candidata das ruas justamente no período mais intenso da disputa. Após evolução clínica satisfatória, Roberta recebeu alta no dia 30 de setembro e seguiu sob acompanhamento médico.

Outros contratempos relatados ao longo da pré-campanha e da campanha — incluindo incidentes em deslocamentos e uma queda durante participação em cavalgada — também fizeram parte de uma jornada eleitoral particularmente atribulada. Esses episódios, contudo, não aparecem com o mesmo nível de documentação pública disponível para a ocorrência aérea de junho e para o problema cardíaco de setembro, razão pela qual devem ser tratados como registros da campanha, sem extrapolar detalhes não confirmados.

No conjunto, o resultado das urnas oferece o dado mais objetivo para avaliar a campanha. Roberta saiu de 160.731 votos em 2022 para 156.108 em 2026, preservando praticamente toda a votação da primeira eleição e conquistando novamente uma cadeira entre os 39 representantes baianos na Câmara dos Deputados.

A reeleição também ocorre em um cenário no qual o PL continuará exercendo papel de oposição ao governo estadual, após a vitória de Jerônimo Rodrigues (PT), e terá peso significativo na próxima legislatura federal. Para Roberta Roma, o segundo mandato representa a passagem de uma candidatura inicialmente impulsionada por uma conjuntura política favorável em 2022 para um projeto eleitoral que, quatro anos depois, demonstrou capacidade de preservar sua votação e sustentação territorial.

Os 156.108 votos deixam, portanto, uma leitura política que vai além da reeleição: mesmo diante de um cenário diferente, de uma campanha marcada por imprevistos e de uma reta final interrompida por um problema grave de saúde, Roberta Roma chegou novamente às urnas com votação muito próxima daquela que a levou pela primeira vez à Câmara. Os números apontam para a consolidação de uma base eleitoral construída pelo grupo político liderado pela deputada e por João Roma e para a permanência do casal entre os principais nomes do PL na política baiana.