Federação União Progressista oficializa apoio ao candidato do PL; com mais de 3,6 milhões de votos na Bahia e forte estrutura política no estado, ex-prefeito de Salvador pode assumir papel importante na tentativa de ampliar a votação de Flávio Bolsonaro no Nordeste
A Federação União Progressista, formada por União Brasil e Progressistas (PP), oficializou nesta terça-feira (6) apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno da eleição presidencial. A decisão, tomada por unanimidade, coloca duas das principais forças do centro político nacional ao lado do candidato do PL na disputa contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), marcada para 25 de outubro.
Entre as lideranças envolvidas diretamente na articulação está ACM Neto, vice-presidente nacional do União Brasil. O ex-prefeito de Salvador participou da reunião em Brasília ao lado dos presidentes nacionais Antonio Rueda, do União Brasil, e Ciro Nogueira, do PP, além de parlamentares das duas legendas.
O movimento ganha relevância especialmente pelo peso eleitoral que Neto acaba de demonstrar na Bahia. Mesmo derrotado na disputa pelo governo estadual, o ex-prefeito saiu das urnas com mais de 3,6 milhões de votos, cerca de 44% dos votos válidos. Trata-se de um contingente eleitoral expressivo em um estado historicamente decisivo para o desempenho nacional do PT.
Mais do que transferir votos automaticamente — algo que nenhuma liderança política consegue assegurar —, Neto pode oferecer a Flávio uma estrutura política organizada, formada por prefeitos, vice-prefeitos, vereadores, deputados e lideranças municipais espalhadas pela Bahia. É justamente essa capilaridade que pode transformar sua participação em um dos ativos da campanha presidencial no Nordeste.
Durante a reunião da federação, ACM Neto relacionou sua derrota na Bahia ao peso eleitoral de Lula e do PT no estado e defendeu uma mudança na correlação política nacional. Segundo ele, “para mudar a Bahia, primeiro nós vamos ter que mudar o Brasil”, acrescentando que essa avaliação poderia também ser aplicada a boa parte do Nordeste. Neto afirmou ainda ter conversado com prefeitos que estiveram ao seu lado na eleição estadual e relatou apoio dessas lideranças ao novo posicionamento.
A adesão representa também uma mudança importante em relação ao primeiro turno. Neto havia apoiado Ronaldo Caiado na disputa presidencial e procurado manter sua campanha ao governo baiano afastada da polarização entre Lula e Flávio Bolsonaro. Agora, encerrada a eleição estadual, o cenário é outro: a prioridade passa a ser a disputa pelo Palácio do Planalto.
E cada voto poderá ter peso considerável. Flávio Bolsonaro terminou o primeiro turno nacional na liderança, com 56,1 milhões de votos, ou 47,03% dos válidos, enquanto Lula recebeu 53,87 milhões, equivalentes a 45,16%. A diferença ficou em pouco mais de 2,2 milhões de votos, colocando a conquista dos eleitores dos candidatos eliminados e a mobilização regional no centro das estratégias das duas campanhas.
É nesse tabuleiro que a Bahia ganha dimensão especial. O estado tem sido uma das principais fortalezas eleitorais de Lula e do PT nas últimas eleições presidenciais. Por isso, para Flávio, o desafio baiano não necessariamente passa por vencer no estado, mas por reduzir a vantagem petista, aumentando sua própria votação e diminuindo a diferença que Lula tradicionalmente constrói entre os eleitores baianos.
Nesse aspecto, ACM Neto pode desempenhar papel relevante. Seus mais de 3,6 milhões de votos demonstram que existe na Bahia um eleitorado numeroso que acompanhou um projeto político de oposição ao PT no plano estadual. Converter parte dessa base em votos para Flávio Bolsonaro, contudo, será um desafio diferente, sobretudo porque a própria campanha de Neto no primeiro turno buscou preservar distância da polarização presidencial.
A articulação já começa a ganhar contornos práticos. Lideranças da oposição discutem a realização de um ato político em Salvador com Flávio Bolsonaro, reunindo representantes do União Brasil, PP, PL e demais aliados. A movimentação pretende transformar o apoio partidário formal em presença efetiva nas ruas e mobilização das bases políticas baianas.
No plano nacional, a adesão da União Progressista amplia o arco político de Flávio Bolsonaro justamente no momento em que sua campanha procura avançar sobre partidos e eleitores de centro. A federação havia permanecido neutra no primeiro turno, permitindo posições diferentes nos estados, mas abandonou a neutralidade depois do resultado das urnas.
Para ACM Neto, a nova etapa também possui significado político próprio. Depois de mais uma disputa estadual contra o PT, ele emerge do primeiro turno derrotado para o governo, mas respaldado por uma votação superior a três milhões e meio de baianos e mantendo posição de destaque na direção nacional do União Brasil.
Nas próximas três semanas, portanto, Neto terá a oportunidade de testar nas urnas algo que ultrapassa sua própria votação: sua capacidade de mobilizar uma parcela expressiva do eleitorado baiano em favor de um candidato presidencial.
Em uma eleição nacional que começou o segundo turno separada por pouco mais de dois milhões de votos, qualquer redução significativa da vantagem petista na Bahia pode produzir reflexos no resultado brasileiro. É exatamente aí que os mais de 3,6 milhões de votos de ACM Neto deixam de ser apenas o resultado de uma eleição estadual e passam a representar um ativo político cobiçado na disputa pelo Palácio do Planalto.