Primeira pesquisa do instituto após o primeiro turno aponta Flávio com 46% contra 44% de Lula; manutenção da vantagem registrada nas urnas e projeção superior a 50% dos votos válidos fortalecem as perspectivas da oposição na reta final da eleição presidencial.
A primeira pesquisa Quaest sobre o segundo turno das eleições presidenciais de 2026, divulgada nesta quarta-feira (14), aponta a manutenção da vantagem numérica do senador Flávio Bolsonaro (PL) sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O levantamento registra Flávio com 46% das intenções de voto, contra 44% de Lula, configurando empate técnico, considerada a margem de erro de dois pontos percentuais.
O resultado ganha relevância por reproduzir o cenário observado nas urnas em 4 de outubro, quando Flávio Bolsonaro terminou o primeiro turno na liderança, com 47,03% dos votos válidos, diante dos 45,15% alcançados por Lula. A diferença de 1,88 ponto percentual registrada naquela ocasião encontra correspondência na vantagem de dois pontos identificada agora pela Quaest.
Um dos aspectos técnicos mais significativos está na conversão das intenções de voto em votos válidos, critério utilizado pela Justiça Eleitoral para definir o vencedor. Excluídos os votos brancos, nulos e os indecisos, Flávio alcança aproximadamente 51,1%, enquanto Lula registra 48,9%. Embora se trate de uma projeção calculada a partir dos percentuais arredondados, o resultado coloca o candidato da oposição numericamente acima da metade dos votos válidos.
Outro indicador relevante é a pesquisa espontânea, modalidade em que o entrevistado manifesta sua preferência sem receber previamente os nomes dos candidatos. Nesse cenário, Flávio também aparece numericamente à frente, com 43%, contra 42% de Lula, diferença que permanece dentro da margem de erro.
A manutenção dessa vantagem numérica, desde o resultado efetivo do primeiro turno até o levantamento realizado nesta segunda etapa da eleição, representa um sinal político importante. Em disputas presidenciais anteriores, a capacidade de preservar a votação inicial e ampliar o apoio entre eleitores de candidaturas eliminadas mostrou-se decisiva para a vitória. Entretanto, esse comportamento histórico não constitui garantia de resultado, especialmente diante de uma disputa tão equilibrada.
O cenário também revela dificuldades para ambos os candidatos. A rejeição alcança 54% para Flávio Bolsonaro e 53% para Lula, demonstrando que a eleição deverá ser decidida não apenas pela fidelização das bases eleitorais, mas também pela capacidade de conquistar votos adicionais e mobilizar eleitores até o dia da votação.
A Quaest ouviu presencialmente 2.154 eleitores entre os dias 10 e 13 de outubro. O levantamento, contratado pela TV Globo e pelo jornal O Globo, apresenta margem de erro de dois pontos percentuais, nível de confiança de 95% e registro no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-08729/2026.
A menos de duas semanas do segundo turno, marcado para 25 de outubro, a pesquisa consolida um quadro de forte competitividade e oferece à oposição um elemento relevante: Flávio Bolsonaro chega à reta decisiva mantendo a dianteira numérica conquistada nas urnas.
Embora o empate técnico impeça qualquer antecipação do vencedor, a persistência dessa vantagem, associada à projeção superior a 50% dos votos válidos, indica que a possibilidade de alternância no comando do Palácio do Planalto permanece concreta.
Mais do que uma diferença pontual nas pesquisas, o desafio das próximas semanas será transformar essa vantagem numérica em maioria efetiva nas urnas.

