Com a polarização consolidada e pesquisas apontando empate técnico, os dois candidatos intensificam a disputa pelo eleitorado nordestino, especialmente na Bahia. Os números do primeiro turno revelam uma vantagem regional de 11 milhões de votos para Lula, enquanto Flávio aposta na redução dessa diferença e na mobilização de eleitores que não escolheram os finalistas.
A eleição presidencial de 2026 chega à reta final do segundo turno com uma característica cada vez mais evidente: a forte polarização entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) reduziu consideravelmente o espaço para mudanças entre os eleitores já identificados com cada candidatura. Nesse cenário, a disputa passa a concentrar esforços sobre os indecisos, os que se abstiveram no primeiro turno, os que votaram em branco ou nulo e aqueles que escolheram Ronaldo Caiado, Augusto Cury, Romeu Zema e Renan Santos, candidatos que ficaram fora da etapa decisiva.
Com apenas três semanas separando os dois turnos, percorrer um país de dimensões continentais torna-se um desafio logístico. As campanhas precisam estabelecer prioridades, mobilizar aliados regionais e identificar onde existe maior possibilidade de ampliar ou preservar suas respectivas votações.
É justamente nesse contexto que o Nordeste assume papel estratégico. Historicamente favorável ao presidente Lula, a região representa uma importante reserva eleitoral para o petista e, simultaneamente, um território onde Flávio Bolsonaro procura diminuir a diferença de votos em relação ao adversário.
A matemática eleitoral ajuda a compreender essa movimentação. Para Lula, preservar a votação expressiva conquistada na região significa manter uma de suas principais bases de sustentação nacional. Para Flávio, reduzir a desvantagem nordestina pode compensar parte dos votos que o presidente obtém tradicionalmente nesses estados, tornando ainda mais relevante o desempenho do candidato do PL nas demais regiões brasileiras.
Não se trata necessariamente de vencer no Nordeste, mas de definir por quantos votos cada candidatura sairá da região. Em uma eleição nacional equilibrada, a diferença absoluta pode ter importância tão grande quanto a vitória em determinado estado.
Bahia concentra a maior disputa regional
Os números ajudam a dimensionar o peso político do Nordeste. Segundo dados eleitorais de 2026, a região reúne aproximadamente 43,5 milhões de eleitores aptos a votar, o equivalente a 27,4% do eleitorado brasileiro. São cerca de 1,14 milhão de eleitores a mais do que em 2022.
A Bahia lidera esse contingente regional, com aproximadamente 11,32 milhões de eleitores, sendo o quarto maior colégio eleitoral do Brasil, atrás apenas de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro. Salvador, isoladamente, concentra quase 2 milhões de eleitores, seguida por Feira de Santana, Vitória da Conquista e Camaçari.
O retrospecto de 2022 explica por que a região desperta tanta atenção. Naquele segundo turno, Lula conquistou aproximadamente 22,53 milhões de votos no Nordeste, equivalentes a 69,34% dos válidos, enquanto Jair Bolsonaro recebeu cerca de 9,96 milhões, ou 30,66%. A diferença regional ultrapassou 12,5 milhões de votos, superando amplamente a vantagem nacional de aproximadamente 2,14 milhões que garantiu a vitória do petista.
Somente na Bahia, Lula recebeu 6.097.815 votos, contra 2.357.028 de Jair Bolsonaro, uma vantagem de aproximadamente 3,74 milhões de votos.
Embora o adversário de Lula agora seja Flávio Bolsonaro e o contexto político tenha mudado, esses números históricos demonstram a dimensão do desafio enfrentado pelas duas candidaturas.
Primeiro turno de 2026 revela mudanças importantes no eleitorado nordestino
A votação de 4 de outubro trouxe elementos importantes para compreender o cenário atual. Nos nove estados nordestinos, Lula conquistou 21.494.584 votos, equivalentes a 63,77% dos válidos, enquanto Flávio Bolsonaro recebeu 10.398.973 votos, correspondentes a 30,85%.
A vantagem do presidente chegou a 11.095.611 votos, ou 32,92 pontos percentuais. Apesar de permanecer expressiva, essa diferença representa uma redução em comparação ao desempenho petista de 2022.

