Com 6,48 milhões de votos e 71,31% da preferência dos eleitores baianos, presidente reeleito amplia vantagem sobre Flávio Bolsonaro e transforma a Bahia em um dos principais pilares de sua vitória nacional
A Bahia voltou a demonstrar sua força no cenário político nacional e desempenhou papel fundamental na reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), neste domingo (25). Maior colégio eleitoral do Nordeste e quarto maior do Brasil, o estado garantiu ao petista uma vantagem expressiva sobre o adversário Flávio Bolsonaro (PL), contribuindo decisivamente para o resultado da disputa presidencial.
Com 99,99% das seções eleitorais totalizadas, Lula conquistou 6.484.995 votos na Bahia, equivalentes a 71,31% dos votos válidos, enquanto Flávio Bolsonaro recebeu 2.608.722 votos, correspondentes a 28,69%.
A diferença entre os dois candidatos alcançou impressionantes 3.876.273 votos, consolidando a Bahia como um dos principais sustentáculos eleitorais da candidatura petista.
Comparativo revela crescimento expressivo de Lula
Uma análise dos resultados dos dois turnos evidencia a importância do eleitorado baiano na definição da eleição presidencial.
No primeiro turno, realizado em 4 de outubro, Lula recebeu 5.664.771 votos, correspondentes a 66,17% dos votos válidos. Flávio Bolsonaro obteve 2.442.585 votos, equivalentes a 28,53%.
Na votação deste domingo, o presidente reeleito ampliou sua votação em 820.224 votos, registrando crescimento de 5,14 pontos percentuais.
Flávio Bolsonaro também apresentou crescimento em números absolutos, conquistando 166.137 votos adicionais. Entretanto, seu percentual permaneceu praticamente estável, passando de 28,53% para 28,69%, uma evolução de apenas 0,16 ponto percentual.
Consequentemente, a vantagem de Lula sobre o adversário, que era de 3.222.186 votos no primeiro turno, saltou para 3.876.273 votos no segundo, representando uma ampliação de 654.087 votos na diferença entre os candidatos.
O resultado demonstra que, além de preservar sua expressiva base eleitoral, Lula conseguiu ampliar sua votação na Bahia de maneira significativamente superior ao crescimento registrado pelo adversário.
Comparecimento às urnas também fez diferença
Outro aspecto relevante foi o aumento da participação dos eleitores baianos.
No primeiro turno, compareceram às urnas 9.053.601 eleitores. Já no segundo, foram registrados 9.421.735 votantes, um crescimento de 368.134 pessoas.
A abstenção, que havia alcançado 19,97% no primeiro turno, recuou para 16,71% na votação decisiva.
Também houve redução dos votos brancos e nulos, enquanto o total de votos válidos passou de 8.560.291 para 9.093.717.
Esses indicadores revelam maior participação efetiva do eleitorado na escolha presidencial. Embora não seja possível identificar individualmente a origem dos novos votos, os números demonstram que Lula foi o principal beneficiado pelo crescimento dos votos válidos e pela redistribuição das preferências eleitorais entre os dois turnos.
Bahia respondeu por parcela expressiva da vantagem nacional
A dimensão da contribuição baiana fica ainda mais evidente quando os números estaduais são confrontados com o resultado nacional.
Com aproximadamente 99,9% das seções apuradas em todo o Brasil, Lula somava 64,17 milhões de votos, contra 59,79 milhões de Flávio Bolsonaro, uma vantagem nacional próxima de 4,38 milhões de votos.
Somente na Bahia, a diferença favorável ao presidente reeleito ultrapassou 3,87 milhões de votos, valor equivalente a aproximadamente 88,5% da vantagem nacional registrada naquele momento da apuração.
Isso não significa que a Bahia tenha decidido isoladamente a eleição, mas evidencia o peso extraordinário do estado na construção da vitória petista.
A expressiva votação baiana ajudou a compensar os resultados favoráveis ao candidato do PL em outras regiões do país, reafirmando a importância estratégica do Nordeste na disputa presidencial.
Força política do PT permanece consolidada na Bahia
O desempenho de Lula também reforça a força eleitoral do Partido dos Trabalhadores na Bahia, estado governado pela legenda desde 2007.
A vitória de Jerônimo Rodrigues na eleição estadual deste ano, garantindo mais quatro anos de administração petista, somada à presença de lideranças como o ex-governador Rui Costa e o senador Jaques Wagner, demonstra a capacidade de articulação e mobilização política do grupo governista.
Entretanto, o resultado também merece uma análise mais ampla. A votação presidencial não pode ser atribuída exclusivamente às lideranças partidárias, uma vez que envolve fatores econômicos, sociais, históricos e a própria identificação de parcela significativa do eleitorado baiano com Lula.
O fato é que, mesmo diante de uma eleição nacional extremamente polarizada e competitiva, a Bahia manteve sua preferência majoritária pelo presidente e ampliou essa vantagem na votação decisiva.
O peso da Bahia no futuro político nacional
A reeleição de Lula, em uma das disputas presidenciais mais acirradas da história recente do Brasil, recoloca a Bahia em posição de destaque no cenário político nacional.
O estado, que já havia desempenhado papel importante na eleição presidencial de 2022, voltou a oferecer uma contribuição eleitoral expressiva para a vitória do petista.
Os números deste domingo demonstram que, apesar do crescimento da oposição em diferentes regiões do país, o eleitorado baiano permanece fortemente identificado com o projeto político liderado por Lula.
Mais do que uma vitória estadual, o resultado representa um ativo político significativo para o governo federal e para as lideranças governistas baianas, especialmente diante das articulações que deverão marcar os próximos quatro anos.
Ao final da apuração, uma constatação se impõe: em uma eleição nacional decidida por margem relativamente estreita, a Bahia não apenas votou majoritariamente em Lula, mas ampliou sua contribuição e assumiu papel de destaque na construção de sua reeleição.
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