Após 14 anos de trajetória, o festival ocupa o CCBB São Paulo, entre 12 e 15 de novembro, com espetáculos como ‘MACACOS’, ‘Black Machine’ e ‘Pequeno Manual Antirracista – A Peça’, além de ateliês de ideias, entrevista musicada e compartilhamento de poéticas.
Retornando ao lar após quatorze anos de trajetória, o Festival Melanina Acentuada – Ano VIII ocupa o “Centro Cultural Banco do Brasil São Paulo” (CCBB SP), entre os dias 12 e 15 de novembro, para a maior temporada de dramaturgia e teatro negro do Brasil.
O anúncio chega às vésperas do Novembro Negro e pretende transformar a capital paulista na guardiã das diásporas afro-indígenas. Nesta edição, o Melanina também celebra os “80 anos do Teatro Experimental do Negro (TEN)” no Brasil, in memoriam do poeta, escritor e dramaturgo Abdias do Nascimento (1914 – 2011).
Ocupando o CCBB com uma programação recheada de espetáculos teatrais, ateliês de ideias, entrevista musicada e compartilhamento de poéticas, o festival traz peças aclamadas pela crítica, como MACACOS, monólogo autoral de Clayton Nascimento; Black Machine, dramaturgia de Dione Carlos; e a adaptação teatral do best-seller de Djamila Ribeiro, Pequeno Manual Antirracista – A Peça, com Luana Xavier e texto de Aldri Anunciação.
Considerado um dos precursores do festival de teatro negro em São Paulo, a volta do Melanina para a capital paulista traz agora espetáculos que nasceram em meio à efervescência cultural da cidade. Na oitava edição, nomes como Aldri Anunciação, William Santana dos Santos, Fernando Lufer, Eugênio Lima, Marina Esteves, Dione Carlos, Banda Cabokaji com Caboclo de Cobre, ISSA, Mayale Pitanga e Sergio Akueran; Clayton Nascimento e Guilherme Diniz compartilham processos criativos, em uma agenda que celebra a produção artística negra contemporânea.
“É uma satisfação para a Novelis patrocinar, pela segunda vez, o Festival Melanina Acentuada. Acreditamos no poder da cultura para ampliar perspectivas, promover o diálogo e valorizar a diversidade. Ao apoiar iniciativas como essa, reforçamos nosso compromisso com ações que contribuem para uma sociedade mais inclusiva e representativa”, afirma Eunice Lima, diretora de Comunicação e Relações Governamentais da Novelis.
Ao longo de quatro dias, o festival promove o intercâmbio de ideias entre sociedade, reunindo artistas, estudantes, pesquisadores e comunidades. Dedicados à narrativa afrodescendente no Brasil, o Melanina Acentuada traz o conceito de tempo espiralar da escritora Leda Maria Martins – que já atuou no festival – como uma oportunidade de unir o melhor dos festivais: desde o “antigo Melanina” apresentado no Teatro de Arena Eugênio Kusnet (2012/2013), em São Paulo, à nova edição no CCBB (2026).
Contar essa história após anos de apresentações em Salvador, na Bahia, e também no Rio de Janeiro, atravessa a história do idealizador Aldri Anunciação. Produtor, dramaturgo, ator e autor do sucesso Namíbia, Não!, que originou o longa-metragem Medida Provisória (2022), dirigido por Lázaro Ramos, Aldri revela que o Melanina nasceu em 2012 com o propósito de ampliar a visibilidade de autores, artistas e pesquisadores negros, consolidando-se como um espaço de criação e formação em torno da dramaturgia preta.
“É interessante pensar que, apesar de ser um festival tradicionalmente baiano, o Melanina nasce em São Paulo. A gente chega ali entre os dias 10 e 11 de dezembro de 2012 e sai em abril de 2013. Eu me lembro que, naquela época, ia de moto para o teatro todas as manhãs; a gente foi entrando no movimento da cidade, e foi muito bonito levar essa ideia pra lá. Depois, a gente vai pra Bahia, nossa ilha política e cultural, onde o festival permanece por muito tempo. E parece que esse também é um momento muito propício pra gente voltar pra São Paulo. Uma das lembranças que eu tenho é de uma fila enorme, e alguém comentando: ‘que interessante ver esse festival acontecendo, trazendo esse movimento’. Acho que tinha justamente essa necessidade de preencher uma lacuna, de responder à ausência de festivais de teatro negro”, recorda Aldri.
O tão aguardado retorno do Melanina Acentuada será marcado por novidades como a estreia da modalidade “entrevista musicada” com a Banda Cabokaji; a quarta participação da peça ‘MACACOS’ no festival, sendo a única a conquistar o título; além da estreia do ‘Pequeno Manual Antirracista – A Peça’ na programação. Nesta edição, o festival ainda se dedica às heranças afro-indígenas, conectadas a Mayale Pitanga, Sergio Akueran, ISSA e Caboclo de Cobre no cântico indígena-pindorâmico e afro-brasileiro.
“Assim como trouxemos a ‘Ancestralidade Futurística’, o conceito de tempo espiralar e outras narrativas afrodiaspóricas em 2025, neste ano, queremos ir mais além, com a herança afro-indígena e novos conceitos emergindo do papel para os teatros. É o meu desejo que o Melanina possa reescrever as histórias que construíram a cidade, o país e a cultura como conhecemos, através dos próprios autores”, reafirma Aldri.
Resgatando o legado do ‘Teatro Experimental do Negro’, em 1944, que revolucionou o “fazer teatro” ao enfrentar o racismo estrutural presente nas artes, reivindicando o protagonismo para artistas negros nos palcos, na literatura, na educação e na política cultural; Aldri vê o festival como um ‘braço’ da transformação proposta por Abdias, na capacidade de inspirar a produção artística preta no Brasil. “Esta edição busca compreender como as ideias inauguradas pelo TEN, em 1944, no Rio, continuam reverberando nas dramaturgias, nas pesquisas, nos corpos em cena e na organização da produção cultural afrodiaspórica. É um convite para reconhecer como as histórias do teatro negro se cruzam em oito décadas de passado, presente e narrativas afrofuturistas”, destaca.
Conheça a programação do ‘Festival Melanina Acentuada – Ano VIII’
Com uma grade repleta de novidades, o Melanina Acentuada reúne sete atividades culturais, divididas entre três espetáculos teatrais, dois ateliês de ideias, uma entrevista musicada e compartilhamento de poéticas, levando apresentações artísticas, ações formativas e reflexões sobre memória e produção negra contemporânea, do TEN (RJ) ao Teatro Experimental do Negro em São Paulo (TENSP).
O festival abre sua programação no dia 12 de novembro, quinta-feira, às 19h, com o espetáculo teatral “Pequeno Manual Antirracista – A Peça”, com duração de 60 minutos no Teatro do CCBB–SP. Com texto de Aldri Anunciação, a adaptação teatral do best-seller homônimo da filósofa e ativista Djamila Ribeiro, interpretada por Luana Xavier, dá início a uma programação dedicada à valorização das narrativas negras e à reflexão sobre as relações raciais por meio das artes cênicas.
No dia 13 de novembro, sexta-feira, o Ateliê de Ideias 01, “Rastros do TEN na Contemporaneidade”, acontece às 16h, reunindo Fernando Lufer, Eugênio Lima e Guilherme Diniz para discutir as reverberações do Teatro Experimental do Negro na cena contemporânea. Às 19h, a programação segue com a estreia da entrevista musicada, que pauta o Manifesto Afro-indígena, de Abdias do Nascimento, com participação do grupo Cabokaji e mediação de Aldri Anunciação.
No sábado, 14 de novembro, o festival recebe, às 16h, o Ateliê de Ideias 02, “TEN x TENSP”, com Guilherme Diniz e William Santana dos Santos, promovendo um diálogo sobre as experiências e as conexões entre o Teatro Experimental do Negro e o TENSP. Às 18h30, o público acompanha o espetáculo Black Machine, com texto de Dione Carlos e duração de 55 minutos. Na sequência, às 19h30, os atores da montagem participam de um compartilhamento de poéticas, proporcionando ao público uma oportunidade de conhecer os processos criativos que atravessam a obra.
O encerramento acontece no domingo, 15 de novembro, às 17h, com o espetáculo Macacos, de Clayton Nascimento, que assina o texto e a atuação. A montagem, que delibera sobre o racismo no Brasil através da arte e da poética, rendeu a Clayton as honrarias de quarto ator negro mais jovem a receber o Prêmio Shell de Teatro, na categoria ‘Melhor Ator’, além dos reconhecimentos pelo APTR de Teatro (2024) e o Prêmio APCA (2023).
Ao receber a oitava edição do Festival Melanina Acentuada, o CCBB São Paulo reafirma seu compromisso com a valorização da diversidade cultural e com a ampliação da visibilidade de autores, artistas e pesquisadores negros. Para além da programação artística, o festival se estabelece como um espaço de reflexão e celebração, em que olhando para o passado, vivemos o protagonismo negro no presente e imaginamos futuros possíveis. Reunindo diferentes expressões da produção intelectual e artística negra, o Melanina Acentuada se consolida como um acontecimento que honra a ancestralidade, fortalece narrativas historicamente silenciadas e celebra a potência criativa da cultura negra em diálogo com a sociedade contemporânea.
Em sua trajetória, o Festival Melanina Acentuada reuniu dezenas de espetáculos, artistas de diferentes estados do país e importantes nomes da cena cultural, contribuindo para o fortalecimento do teatro negro nacional. Ao todo, o festival acumula a apresentação de mais de 40 espetáculos ao longo de 14 anos dedicados à dramaturgia negra brasileira.
Todas as atividades do Festival Melanina Acentuada são gratuitas, exceto os espetáculos, que possuem valor simbólico de R$ 30 (inteira) e R$ 15 (meia). Viabilizando a integração, o festival dispõe de 10% da lotação do espaço para acessibilidade. As atividades formativas serão gratuitas com retirada de ingresso direto na bilheteria uma hora antes de cada atividade.
Festival Melanina Acentuada Ano VIII – edição São Paulo é um projeto apresentado pelo Ministério da Cultura, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura, patrocínio da Novelis e apoio do Centro Cultural Banco do Brasil São Paulo (CCBB SP). Realização: Melanina Acentuada Produções, Governo Federal.
PROGRAMAÇÃO OFICIAL – FESTIVAL MELANINA ACENTUADA – ANO VIII
Confira nas redes sociais: @melaninaacentuada
(A programação pode sofrer alterações)
SERVIÇO
[Festival Melanina Acentuada – Ano VIII (edição SP)]
Quando: 12 a 15 de novembro
Onde: Centro Cultural Banco do Brasil São Paulo
Ingressos dos espetáculos disponíveis a partir de 06/11 às 12h, na bilheteria do CCBB e em bb.com.br/cultura
Ingressos para as atividades formativas disponível uma hora antes na bilheteria do CCBB e em bb.com.br/cultura
Classificação indicativa: 14 anos
Endereço: Rua Álvares Penteado, 112 – Centro Histórico – SP
Funcionamento: aberto todos os dias, das 9h às 20h, exceto às terças-feiras
Informações: (11) 4297-0600
Estacionamento: O CCBB possui estacionamento conveniado na Rua da Consolação, 228 (R$ 14 pelo período de 6 horas – necessário validar o ticket na bilheteria do CCBB). O traslado é gratuito para o trajeto de ida e volta ao estacionamento e funciona das 12h às 21h.
Transporte público: O CCBB fica a 5 minutos da estação São Bento do Metrô. Pesquise linhas de ônibus com embarque e desembarque nas Ruas Líbero Badaró e Boa Vista.
Táxi ou Aplicativo: Desembarque na Praça do Patriarca e siga a pé pela Rua da Quitanda até o CCBB (200 mts).
Van: Ida e volta gratuita, saindo da Rua da Consolação, 228. No trajeto de volta, há também uma parada no metrô República. Das 12h às 21h.
