Bahia vence o São Paulo, mas volta a brincar com o perigo e faz torcida sofrer na Fonte Nova

Em noite de muita chuva, Tricolor abre 2 a 0, permite reação do adversário e só garante o triunfo por 3 a 2 na reta final; resultado mantém o Esquadrão na briga por uma vaga na Libertadores, mas expõe dificuldades para administrar vantagens.

O Bahia conquistou um importante triunfo na noite desta quarta-feira (28), ao derrotar o São Paulo por 3 a 2, na Arena Fonte Nova, em Salvador, pela 33ª rodada do Campeonato Brasileiro. Debaixo de muita chuva, com o gramado pesado e diante de pouco mais de 21 mil torcedores, o Esquadrão protagonizou uma partida emocionante, mas que poderia ter sido resolvida com muito menos sofrimento.

A equipe comandada por Rogério Ceni começou de maneira avassaladora. Logo aos cinco minutos, Rodrigo Nestor abriu o placar de cabeça, após cruzamento de Jean Lucas. Aos dez, Erick Pulga ampliou, aproveitando assistência de Marcos Victor. Com 2 a 0 no marcador e amplo domínio das ações, o Bahia parecia caminhar para uma vitória tranquila.

Entretanto, mais uma vez, o Tricolor demonstrou dificuldades para administrar uma vantagem construída dentro de campo. Depois de desperdiçar oportunidades de ampliar o marcador e praticamente liquidar a partida, a equipe diminuiu a intensidade, recuou e permitiu que o adversário crescesse.

O castigo veio ainda no primeiro tempo. Aos 43 minutos, Lucas Moura descontou para o São Paulo. Pouco depois, já nos acréscimos, Bobadilla acertou um belo chute e empatou a partida, transformando uma vantagem confortável em um resultado frustrante. O Bahia foi para o intervalo sob vaias de parte da torcida.

Na segunda etapa, o São Paulo voltou melhor e chegou a pressionar os donos da casa. Rogério Ceni precisou mexer na equipe, promovendo as entradas de Everton Ribeiro, Erick e Ademir, alterações que devolveram ao Bahia maior controle das ações ofensivas.

Quando o empate parecia inevitável, surgiu o gol salvador. Aos 35 minutos, Everton Ribeiro cobrou falta na área, Erick desviou e Marcos Victor apareceu para marcar de cabeça, decretando o triunfo por 3 a 2 e levando a torcida ao alívio.

O resultado foi excelente, mas o desempenho deixa um alerta importante. Não é a primeira vez que o Bahia consegue abrir vantagem, cria condições para definir uma partida e acaba permitindo a reação adversária. A dificuldade em controlar o ritmo do jogo, especialmente quando está vencendo, tem provocado apreensão entre os torcedores e pode custar pontos preciosos nesta reta final do Brasileirão.

Desta vez, a reação veio a tempo. Entretanto, caso o terceiro gol não tivesse acontecido, o Esquadrão teria desperdiçado dois pontos dentro de casa, justamente quando cada resultado pode ser determinante para alcançar seus objetivos na competição.

O confronto também teve um significado especial para Rogério Ceni. Ídolo histórico do São Paulo, clube onde construiu uma carreira vitoriosa como goleiro e também trabalhou como treinador, o comandante tricolor voltou a superar sua antiga equipe. Na entrevista coletiva, o próprio técnico reconheceu que não é aceitável construir um início tão positivo e permitir o empate ainda na primeira etapa.

Com o triunfo, o Bahia chegou aos 53 pontos e assumiu a sexta colocação na classificação, mantendo-se na disputa por uma vaga na próxima edição da Copa Libertadores da América.

O próximo compromisso será diante do Cruzeiro, no dia 5 de novembro, no Mineirão, em Belo Horizonte, pela 34ª rodada.

O Bahia venceu, somou três pontos fundamentais e segue vivo na luta por seus objetivos. Mas fica uma reflexão: uma equipe que pretende disputar as primeiras posições do futebol brasileiro precisa aprender a transformar superioridade em tranquilidade, sem permitir que jogos praticamente encaminhados se transformem em verdadeiros testes para o coração do torcedor.

Na Fonte Nova, o triunfo veio. O sofrimento, mais uma vez, também.

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Foto: Divulgação ECB/Leticia Martins