Com o apoio de Bruno Reis e Carlos Muniz, vereador do Novo reúne 35 dos 43 apoios anunciados e é favorito para presidir o Legislativo nos dois últimos anos da atual gestão municipal.
Alexandre Aleluia (Novo) chega à reta decisiva da disputa pela presidência da Câmara Municipal de Salvador como favorito. Com o respaldo do prefeito Bruno Reis (União Brasil) e a adesão do atual presidente da Casa, Carlos Muniz (PSDB), anunciada na segunda-feira (2), o vereador passou a reunir 35 apoios entre os 43 parlamentares, segundo a imprensa local. A eleição está prevista para acontecer até dezembro e definirá o comando do Legislativo no biênio 2027–2028.
A candidatura ainda pode atrair parte da oposição. Nas conversas com Aleluia, representantes da bancada defenderam uma nova distribuição do comando das comissões, maior autonomia em relação à Prefeitura e espaço na pauta para projetos de autoria dos vereadores. A negociação antecipa um desafio da próxima presidência: conduzir as votações de interesse do Executivo e garantir que as propostas dos parlamentares também cheguem ao plenário.
Da Comissão de Justiça à disputa pela presidência
Empresário, bacharel em Direito e filho do ex-deputado federal José Carlos Aleluia, Alexandre tem 43 anos e exerce o terceiro mandato consecutivo. Eleito pela primeira vez em 2016 pelo Democratas, assumiu em 2017, depois de presidir a juventude estadual do partido. Na Câmara, firmou um perfil conservador, com atuação voltada à defesa das liberdades individuais e econômicas e dos valores cristãos.
Na atual legislatura, preside a Comissão de Constituição, Justiça e Redação Final (CCJ), que examina a legalidade e a constitucionalidade das propostas antes da votação em plenário. Entre suas iniciativas está um projeto para alterar as regras de colocação de kits de praia na capital. À frente da comissão, também destacou a importância da revisão do Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano (PDDU), que orienta a ocupação e o crescimento da cidade.
Uma Câmara histórica com peso no orçamento
Criada em 1549 por Tomé de Sousa, no ano da fundação de Salvador, a Câmara foi uma das principais instituições municipais do Império português nas Américas. Hoje, seus 43 vereadores votam as leis da capital, analisam o orçamento e fiscalizam a Prefeitura. À presidência cabe conduzir o plenário e coordenar, com a Mesa Diretora e as lideranças partidárias, a pauta de votações. É nessa agenda que temas como subsídios ao transporte, regras de ocupação urbana e prioridades de investimento ganham data para ser decididos.
A Lei Orçamentária de 2026 destinou R$ 349,5 milhões à Câmara Municipal. Já a proposta encaminhada pela Prefeitura para 2027 prevê R$ 15,7 bilhões para o conjunto do município. A próxima Mesa terá, portanto, duas responsabilidades distintas: administrar os recursos da própria Casa e conduzir o debate sobre a aplicação do orçamento de Salvador.
O biênio que desemboca nas urnas
A próxima Mesa assumirá em janeiro de 2027 e permanecerá no comando até dezembro de 2028, período que coincide com os dois últimos anos do segundo mandato de Bruno Reis. Enquanto a Prefeitura encaminha as votações da reta final da gestão, partidos, vereadores e lideranças locais começam a se posicionar para a disputa pelo Palácio Thomé de Souza. O calendário dá à presidência da Câmara um papel relevante tanto na condução da agenda municipal quanto nas negociações que antecedem a formação das alianças de 2028.
Se eleito, Aleluia terá de administrar uma maioria construída com o apoio do prefeito e lidar com a cobrança da oposição por mais autonomia. O primeiro teste virá nas votações em que os interesses da Prefeitura e os das bancadas divergirem. À medida que a sucessão avançar, cada decisão sobre o que entra na pauta, quando vai a voto e com quais apoios também dará sinais de como as alianças estão se reorganizando em Salvador.