No sudoeste da Bahia, um parque nacional protege nascentes, cachoeiras e uma ave rara, enquanto a devoção a Nossa Senhora da Boa Nova mantém viva a história que deu nome à cidade.
Em Boa Nova, bastam cerca de 15 quilômetros para sair da paisagem seca da Caatinga e chegar à floresta úmida da Mata Atlântica. Entre as duas está a mata de cipó, vegetação de transição que abriga o gravatazeiro, ave rara que se tornou símbolo da conservação local. Na sede do município, a história dos boa-novenses tem outro símbolo. É a imagem de Nossa Senhora da Boa Nova, padroeira que deu nome à cidade e reúne devotos em setembro.
Das cachoeiras da serra à Biquinha
Criado em junho de 2010, o Parque Nacional de Boa Nova tem pouco mais de 12 mil hectares. Na mesma ocasião, foi instituído o Refúgio de Vida Silvestre de Boa Nova, com cerca de 15 mil hectares. O ICMBio aponta 428 espécies de aves registradas na região, diversidade que atrai observadores e fotógrafos de natureza. O Lajedo dos Beija-flores, a Serra do Timorante, o Morro do Inglês e o Mirante do Rio do Chumbo estão entre os atrativos indicados pelo instituto.
Na face mais úmida da serra, as nascentes alimentam rios e quedas como a Cachoeira Sete de Setembro, com cerca de 70 metros. Os Caldeirões do Rio do Chumbo também se destacam, e o plano de manejo mapeia outras cachoeiras, como as das Traíras, da Farofa e da Piabanha. Parte dos acessos passa por propriedades particulares. Para a visita, o ICMBio orienta a contratação de guia local.
À margem da BR-030, a Biquinha faz parte da rotina dos moradores. A fonte de água doce é conhecida também por visitantes de municípios vizinhos e já foi tema de uma indicação na Câmara Municipal para revitalização e proteção do entorno.
A devoção que batizou a cidade
Antes de Boa Nova, o povoado era conhecido como Boca do Mato. Segundo a tradição registrada pela Prefeitura, um frade que se perdeu na mata foi socorrido pelos moradores e, em agradecimento, ofereceu uma imagem de Nossa Senhora da Boa Nova. A capela dedicada à santa foi erguida em 1870. Hoje, 8 de setembro, dia da padroeira, é feriado municipal. A programação festiva pode ocupar vários dias, como em 2025, quando os shows foram programados de 5 a 7 de setembro.
Boa Nova comemora a emancipação política em 6 de agosto, data que remete a 1921. O calendário cultural reúne os ternos de reis, em janeiro, o São João, em junho, e as pastorinhas e os presépios, em dezembro. O Festival do Umbu também figura entre as iniciativas culturais registradas no município. São tradições mantidas por quem canta nos reisados, prepara os festejos e transmite às novas gerações a história da cidade.
O campo, a economia e a política local
Boa Nova tinha 13.690 habitantes no Censo de 2022, em um território de cerca de 849 km². Naquele ano, a taxa de escolarização da população de 6 a 14 anos era de 99,69%, segundo o IBGE. O PIB municipal chegou a aproximadamente R$ 145 milhões em 2023. No campo, cacau, tomate e banana lideraram o valor da produção agrícola em 2024, segundo dados do IBGE compilados pelo Sebrae. A criação de bovinos e aves também faz parte da economia rural.
A Prefeitura é comandada por Lucas Santos Meira, o Lucas de Aete (MDB). Ele foi eleito em 2024 com 4.942 votos, equivalentes a 52,07% dos válidos, na chapa com a vice-prefeita Professora Aide (PP). A Câmara Municipal tem nove vereadores e elegeu Valder Botelho (MDB) para presidi-la no biênio 2025–2026.
A observação de aves já atrai visitantes a Boa Nova. Uma estadia mais longa pode ampliar o trabalho dos guias, movimentar pousadas e restaurantes e abrir mercado para produtos locais. Quem chega de binóculo em busca do gravatazeiro encontra, na mesma viagem, as cachoeiras da serra, a Biquinha à beira da estrada e uma cidade que carrega no nome a devoção de seu povo.
Foto: Acervo BSF