A arte de cantar: atividade traz inúmeros benefícios físicos, mentais e emocionais, promovendo saúde e bem estar para os praticantes

A frase “quem canta, seus males espanta” de fato faz muito sentido. O Escritório Regional para a Europa da Organização Mundial da Saúde (OMS) lançou um relatório em 2019 chegando à conclusão que  atividades artísticas, como cantar, podem trazer benefícios para a saúde física e mental. Alinhamento da postura e o relaxamento, melhora de sintomas como depressão e ansiedade, e o impacto no humor e no equilíbrio emocional das pessoas, são alguns exemplos dos benefícios práticos proporcionados pela atividade. 

“Cantar é viabilizar o fluxo de ar com atenção e diferentes dinâmicas. Isso demanda estado de presença, confiança e senso de coletividade quando compartilhado com outro, o que libera os hormônios da felicidade (endorfina, serotonina e dopamina). Estresse e ansiedade não coexistem com o ato de cantar por exigirem dinâmicas corporais opostas. Isso faz com que as pessoas cheguem para a aula de uma forma e saiam em outra estação emocional” conta Mylane Mutti, formada em Música Popular com habilitação em voz cantada pela Universidade Federal do Estado da Bahia (UFBA), professora de canto e idealizadora da escola de formação musical Cantoário. 

Carol Franco e Dani Ornellas, alunas da Cantoário, são a exemplificação de como a atividade pode auxiliar na função terapêutica das doenças psicológicas. Segundo Carol, as aulas ajudam no seu cotidiano, que é naturalmente estressante. “Tenho ansiedade clinicamente tratada, e sou bancária. Os meus colegas já sabem que ao longo do dia, de repente, vão me ouvir cantando alguma coisa. É minha válvula de escape, minha ferramenta de equilíbrio”. Já Dani, relata que buscou a atividade para recuperar-se de um transtorno depressivo. De acordo com ela, cantar é uma terapia. “Hoje sou uma sobrevivente dessa doença porque o canto me cura todos os dias”, afirma. 

Aulas de canto não são destinadas apenas para aqueles que buscam aperfeiçoamento técnico, mas também para quem procura uma ocupação prazerosa, um novo hobby ou uma nova fonte para adquirir mais saúde. Alguns mitos que giram em torno da prática podem afastar os possíveis interessados, como a ideia de que é necessário ter um dom. Com o avanço tecnológico e a compreensão que o instrumento voz demanda observações multidisciplinares, tem-se desenvolvido métodos cada vez mais eficientes para conduzir a técnica de cada indivíduo. 

“Cantar é o ato de disponibilizar o corpo como um instrumento musical. Como eu costumo dizer, “ser música”. Podemos comparar o exercício com a meditação por usar uma estratégia respiratória semelhante, a condução da postura encaixada, por trabalhar foco, concentração e presença nos vocalizes à medida que o corpo aprende música. Além do mais pode ser visto como uma ferramenta terapêutica por trazer o indivíduo para o centro da questão. Eu diria que o canto abre essa via de comunicação com seu inconsciente ou mesmo com o divino, o que libera boas sensações físicas e conforta a alma”, conta Mylane Mutti, coordenadora da Cantoario.

A atividade pode causar transformação em diversos aspectos da vida dos praticantes, podendo fortalecer a autoconfiança e auxiliar na percepção interior. A certeza de que pode ser ouvido ao cantar bem, se sentir pertencente ao mundo de forma fluida e positiva. Essas sensações trazem bem-estar emocional, tornando -se uma aliada da saúde mental.

Carol Franco afirma: “Cantar praticamente modula minha alma. Muda meu estado de humor. Me acalma e me alegra, me ajuda a entrar em estado de introspecção. O ritmo, a letra me transportam e me deixo levar, cada vez mais conscientemente à medida que vou estudando e me autoconhecendo”.

Integrando saúde física e mental, cantar pode ser um momento de conexão com o próprio eu, trazendo consciência corporal e autoestima, promovendo um estilo de vida saudável. Dani Ornellas pontua que a ação se conecta com o seu bem-estar, agindo como uma forma de autocuidado. “Aprendendo a cantar eu aprendo também a cuidar de mim, do meu corpo, da minha voz e da minha cabeça, dessa forma eu fico bem”.

Foto: Diogo Florez