Cocos colhe três vezes a média nacional e amplia o mapa do cacau na Bahia

Município do Oeste produziu 479 toneladas em 311 hectares. Enquanto Ilhéus lidera a safra baiana em volume, o Cerrado ganha espaço e o Vale do São Francisco testa o cultivo irrigado.

Em uma região conhecida pela soja e pelo algodão, o cacau começa a ganhar espaço. Cocos, no Oeste da Bahia, colheu 1.540 quilos de amêndoas por hectare em 2025, pouco mais de três vezes a média brasileira, de 505 quilos. Foram 479 toneladas em 311 hectares, com valor de produção de aproximadamente R$ 19,3 milhões, segundo levantamento do MATOPIBAFAZ com base na Produção Agrícola Municipal do IBGE.

O rendimento de Cocos foi 6,6 vezes o de Ilhéus, que registrou 233 quilos por hectare. Em volume, Ilhéus segue na liderança estadual, com 9.135 toneladas colhidas em 39,2 mil hectares. No Matopiba, região que abrange municípios do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia, Cocos respondeu por 53% das 905 toneladas contabilizadas pelo portal. O município já havia alcançado 1.500 quilos por hectare em 2024.

Da cabruca ao Cerrado

Introduzido na Bahia em 1746, o cacau se espalhou pelo Sul do estado e moldou a economia de Ilhéus e dos municípios vizinhos. Ali se consolidou a cabruca, sistema em que os cacaueiros crescem à sombra de árvores nativas mantidas na lavoura. O cultivo ajuda a conservar parte da cobertura da Mata Atlântica e hoje diferencia amêndoas e chocolates de origem. A vassoura-de-bruxa, identificada na Bahia em 1989, derrubou a produção e impulsionou a pesquisa por variedades mais resistentes.

No Cerrado, o grupo Santa Colomba começou a testar variedades de cacau em Cocos em 2017. Em Riachão das Neves, o governo baiano documentou o cultivo irrigado em consórcio com coqueiros na Fazenda Estância Solaris. O município colheu 118 toneladas em 2025, com rendimento de 1.475 quilos por hectare.

Vale do São Francisco testa o cacau irrigado

No semiárido entre Bahia e Pernambuco, o cacau está entre as culturas testadas em projetos de irrigação do Médio São Francisco, segundo a Codevasf. Em parceria com a Embrapa, a companhia implantou unidades demonstrativas para avaliar o desempenho das plantas e a qualidade dos produtos. Em uma região conhecida pela fruticultura irrigada, os testes ajudam a avaliar se o cacaueiro pode se tornar mais uma opção de cultivo. A regularidade das safras e o custo da irrigação serão decisivos para medir a viabilidade comercial.

Bahia responde por 44% da safra nacional

A Bahia colheu 137,6 mil toneladas em 2025, em 427,4 mil hectares, com rendimento médio de 322 quilos por hectare e valor de produção de R$ 5,8 bilhões. O estado respondeu por cerca de 44% das 314,4 mil toneladas produzidas no Brasil e ficou atrás do Pará, que colheu 153,6 mil toneladas.

O Plano Inova Cacau 2030, coordenado pela Ceplac, busca elevar a produtividade, melhorar a qualidade das amêndoas e ampliar a renda dos produtores. Na Bahia, há espaço para produzir mais nas áreas já cultivadas com a renovação dos cacaueiros e o controle de doenças. Melhorias na fermentação e na secagem também podem ampliar o acesso a mercados que valorizam a qualidade e a origem das amêndoas.

Arroba perto de R$ 285 e mercado mundial volátil

No fechamento de 3 de novembro de 2026, a arroba de 15 quilos foi cotada a R$ 284 na referência baiana do Notícias Agrícolas. Em Gandu, o Agrolink registrou R$ 280 no mesmo dia.

No exterior, a Organização Internacional do Cacau estima que a produção mundial cresceu 8,5%, para 4,73 milhões de toneladas, na temporada 2024/25. A moagem, indicador da demanda industrial, caiu 3,3%, e o saldo estimado foi um superávit de 37 mil toneladas. O Banco Mundial aponta perspectiva de recuperação do preço internacional em 2027. O comportamento das cotações seguirá sensível ao desempenho das safras na África Ocidental e às compras da indústria de chocolate.

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