Candidato a deputado estadual pelo PL recebeu 821 votos na Bahia, 428 deles em Boa Nova, e transforma primeira experiência nas urnas em novo ativo político no município do Sudoeste baiano
A eleição de 2026 marcou uma nova etapa na trajetória política de Ékio Bomfim (PL). Acostumado a atuar há mais de duas décadas nos bastidores da articulação política e partidária, ele decidiu, pela primeira vez, colocar o próprio nome à prova das urnas. O resultado não lhe garantiu uma cadeira na Assembleia Legislativa da Bahia, mas deixou um dado relevante para a política de Boa Nova: dos 821 votos obtidos em todo o estado, 428 foram conquistados no município onde mantém sua principal base política há cerca de 20 anos.
Os números ganham significado quando observados dentro da disputa municipal. Ékio terminou como o sexto candidato a deputado estadual mais votado em Boa Nova, com 4,83% dos votos para o cargo. Ficou atrás de Hassan de Zé Cocá, Euclides Fernandes, Osni Cardoso, Wagner Alves e Zé Raimundo, mas superou candidatos conhecidos da política baiana, entre eles o deputado estadual eleito Rosemberg Pinto, que obteve 424 votos no município.
Outro dado chama atenção: 52,1% de todos os votos recebidos por Ékio na Bahia saíram de Boa Nova. Para uma candidatura estreante e sem mandato parlamentar, o desempenho indica uma concentração eleitoral justamente no território onde ele desenvolveu sua atuação política ao longo dos últimos anos.
Ékio entrou na disputa pelo PL, colocando seu nome à disposição do partido e integrando o campo político da oposição estadual e da chapa majoritária liderada por ACM Neto. A candidatura representou uma mudança de posição para quem, durante mais de duas décadas, esteve muito mais ligado à construção política, articulação partidária e relacionamento com lideranças do que à exposição pessoal nas urnas.
A estrutura financeira também ajuda a contextualizar o resultado. Em uma eleição marcada pela força das estruturas partidárias e pela elevada competitividade das campanhas proporcionais, Ékio realizou uma campanha de dimensão financeira reduzida diante do universo de uma disputa estadual. Ainda assim, conseguiu concentrar parte expressiva de sua votação justamente em Boa Nova.
Uma construção anterior às urnas
A presença política de Ékio em Boa Nova, entretanto, não começou em 2026. Ao longo dos anos, ele participou de articulações políticas e institucionais envolvendo o município, mantendo interlocução com diferentes lideranças estaduais e federais e trabalhando na busca por recursos e investimentos destinados à cidade.
Essa atuação ganhou novo capítulo através da parceria política com a deputada federal Roberta Roma (PL). Mais recentemente, foi anunciada a destinação de R$ 1,3 milhão para a saúde de Boa Nova, recurso proveniente de emenda parlamentar da deputada e cuja articulação contou com a participação de Ékio.
A parceria também chegou às urnas. Durante a campanha, Ékio e Roberta Roma formaram uma dobradinha eleitoral em Boa Nova e trabalharam conjuntamente na defesa de seus projetos políticos. A votação obtida pelos dois no município reforçou uma relação construída anteriormente e que passou a ter também expressão eleitoral.
Dos bastidores para uma base própria
O resultado de 2026 não deve ser analisado apenas pelo número absoluto de votos alcançado em todo o estado. Para quem disputava pela primeira vez uma eleição proporcional estadual, sem mandato e com estrutura limitada, o desempenho em sua principal base eleitoral oferece outra leitura política.
Os 428 votos conquistados em Boa Nova colocaram Ékio entre os nomes competitivos da eleição estadual dentro do município e deram dimensão eleitoral a uma atuação que, durante anos, esteve concentrada principalmente nos bastidores.
É justamente nesse aspecto que pode estar o principal saldo político de sua candidatura.
Se antes Ékio Bomfim era identificado sobretudo como articulador, interlocutor partidário e responsável por construir pontes entre Boa Nova e lideranças estaduais e federais, a eleição de 2026 acrescentou um elemento novo à sua trajetória: uma base eleitoral própria, agora mensurada pelas urnas.
O resultado não significou mandato, mas estabeleceu um ponto de partida. Em um município onde diferentes grupos e lideranças disputam espaço político, a votação obtida em sua estreia credencia Ékio a permanecer no debate local e indica que o trabalho desenvolvido ao longo dos últimos anos encontrou correspondência em parcela do eleitorado.
Depois de mais de duas décadas trabalhando nos bastidores, Ékio Bomfim encerra a eleição de 2026 com seu primeiro resultado eleitoral próprio. Os 428 votos conquistados em Boa Nova não definem, por si só, os próximos capítulos de sua trajetória, mas colocam seu nome em uma nova posição no tabuleiro político municipal e abrem espaço para uma liderança que, depois de anos de articulação, começa também a construir sua própria expressão nas urnas.