Atraídos por impostos baixos e incentivos fiscais como a Lei de Maquila, brasileiros impulsionam recordes de residência no país vizinho; confira a análise de Charles Mendlowicz
O perfil da migração brasileira está mudando. Longe de ser um movimento em busca de assistência social, o fluxo recente de brasileiros em direção ao Paraguai é composto por uma população altamente produtiva e por empresas que buscam fugir do custo Brasil. A análise é do economista Charles Mendlowicz, sócio da Ticker Wealth e fundador do canal Economista Sincero, que alerta para o impacto negativo dessa perda de capital humano e intelectual para o Brasil.
“O brasileiro não está indo para o Paraguai para ganhar algo do país. Ele está indo para contribuir com o país, principalmente as empresas. É péssimo para o Brasil perder gente para os Estados Unidos, Paraguai, Espanha. São brasileiros que estão saindo do país com a intenção de trabalhar”, explica Mendlowicz.
Segundo a Direção Nacional de Migrações do Paraguai, 23.526 brasileiros receberam autorização de residência no país em 2025, um salto significativo comparado aos cerca de 10 mil registrados em 2020. A tendência de alta se acelerou no primeiro trimestre de 2026, com o Paraguai registrando 18.071 pedidos totais de residência de estrangeiros — um aumento de 85% em relação ao mesmo período do ano anterior. O Brasil lidera isolado o ranking de residências concedidas entre janeiro e março deste ano, respondendo por 64% de todas as concessões.
O abismo tributário e a Lei de Maquila
Mendlowicz destaca que fatores políticos e econômicos locais alimentam essa debandada, e aponta a discrepância entre os sistemas tributários como o principal motor dessa migração. Enquanto o Brasil discute uma reforma tributária que pode resultar no maior Imposto sobre Valor Agregado (IVA) do mundo (com carga tributária total entre 26,5% e 28%, segundo análise do Taxgroup), o Paraguai mantém seu IVA fixado em 10%.
“O Paraguai atrai brasileiros com IVA de 10% e carga tributária menor. É desesperador ser empresário no Brasil. A reforma tributária aposta em um IVA que vai reorganizar o sistema, mas que pode ter o maior IVA do mundo”, alerta do Economista Sincero.
Para o setor industrial, o grande atrativo é a Lei de Maquila: o regime permite que empresas operem com impostos de importação de apenas 1% sobre o valor agregado. De acordo com o Ministério da Indústria e Comércio do Paraguai, mais de 200 empresas brasileiras já migraram sob este modelo desde 2007, atraídas também pela energia abundante e mão de obra mais barata. Grandes marcas, como a centenária têxtil catarinense Karsten e a Lupo, já expandiram suas operações para o território paraguaio. “Sete entre dez fabricantes do regime de maquilas tem origem no Brasil”, ressalta Mendlowicz.
Distorções de mercado e realidade local
Essa eficiência fiscal gera distorções curiosas: carros fabricados no Brasil chegam a ser até 38% mais baratos se comprados no Paraguai, livre dos impostos nacionais. No entanto, o economista pondera que o país vizinho ainda enfrenta desafios estruturais: “O IDH está patinando no Paraguai, é um país em desenvolvimento. Quem migra para lá precisa entender que não está indo para a Suíça ou para a Alemanha”.
Ainda assim, o balanço final para a macroeconomia regional desenha cenários opostos para as duas nações. “O importante é que boas pessoas com vontade de trabalhar estão indo para o Paraguai. Isso é péssimo para o Brasil, e ótimo para o país vizinho”, conclui Mendlowicz.
Sobre Charles Mendlowicz, o Economista Sincero
Charles Mendlowicz é um dos principais nomes do mercado financeiro brasileiro, com 30 anos de experiência e um histórico de sucesso no mercado financeiro e no varejo. É sócio da consultoria de wealth management Ticker Wealth, onde lidera a estratégia de expansão, e autor do best-seller “18 princípios para você evoluir”. Sua abordagem direta e transparente o consagrou como um influenciador confiável, tendo sido eleito o melhor influenciador de investimentos pela ANBIMA por quatro vezes.
Crédito Claudia Maldonado – Pixabay


