Fevereiro tem alta de agentes de segurança baleados na RMS 

Dos 10 agentes de segurança baleados em 2026, seis foram atingidos em fevereiro, e todos são policiais militares, segundo o Fogo Cruzado

O policial militar Glauber Rosa Santos, de 42 anos, morto com um tiro na cabeça durante uma ação policial no bairro do Vale das Pedrinhas, em Salvador, foi um dos seis policiais militares baleados em fevereiro na capital e na região metropolitana de Salvador.

O número é maior que o registrado no mesmo período do ano passado, quando dois agentes foram baleados, um morto e um ferido. Este também é o maior registro desde agosto de 2024, quando sete agentes de segurança foram baleados, quatro morreram e três ficaram feridos.

De acordo com dados do segundo relatório mensal de 2026 do Instituto Fogo Cruzado, cinco desses agentes ficaram feridos e um morreu em fevereiro. Cinco das vítimas estavam em serviço no momento em que foram atingidos.

Considerando o acumulado do ano, 10 agentes de segurança foram baleados em 2026, e seis desses casos ocorreram em fevereiro, todos envolvendo policiais militares.

“O número de agentes de segurança baleados também revela a complexidade e os riscos das dinâmicas da violência armada. Quando policiais e outros profissionais da segurança passam a figurar entre as vítimas, isso evidencia a fragilidade de estratégias baseadas no confronto armado. Esses dados mostram que a violência não atinge apenas a população civil, mas os próprios agentes do Estado, reforçando a necessidade de políticas de segurança pública mais eficazes e informadas em evidências”, avalia Tailane Muniz, coordenadora regional do Instituto Fogo Cruzado na Bahia. 

Mas não foi só a polícia que foi atingida pela violência armada em fevereiro. No total, 110 pessoas foram baleadas em Salvador e na região metropolitana de Salvador. Destas, 82 morreram e 28 ficaram feridas.

Ao longo do mês, foram registrados 120 tiroteios ou disparos de arma de fogo na região. Em 62 desses episódios houve ações ou operações policiais, que deixaram 45 mortos e 10 feridos.

Em comparação com fevereiro de 2024, quando foram registrados 125 casos, houve redução de 4% no total de ocorrências.

Em relação a fevereiro de 2025, os dados indicam queda de 27% no número de mortos e aumento de 47% no número de feridos. Naquele período, 110 pessoas foram baleadas, resultando em 113 mortes e 19 pessoas feridas.

Dados detalhados

Municípios

  • Salvador: 77 tiroteios, 53 mortos e 23 feridos
  • Camaçari: 11 tiroteios, 6 mortos e 3 feridos
  • Dias d’Ávila: 7 tiroteios e 6 mortos
  • Lauro de Freitas: 6 tiroteios, 5 mortos e 1 ferido
  • Simões Filho: 5 tiroteios e 3 mortos 
  • Candeias: 4 tiroteios e 3 mortos
  • Vera Cruz: 4 tiroteios, 2 mortos e 1 ferido 
  • São Francisco do Conde: 3 tiroteios e 3 mortos 
  • Itaparica: 1 tiroteio
  • Mata de São João: 1 tiroteio e 1 morto
  • São Sebastião do Passé: 1 tiroteio

Bairros

Durante o mês, os bairros mais afetados pela violência armada foram:

  • Centro (Salvador): 5 tiroteios, 2 mortos e 6 feridos
  • Nordeste de Amaralina (Salvador): 4 tiroteios, 12 mortos e 3 feridos 
  • Vale das Pedrinhas (Salvador): 4 tiroteios, 2 mortos e 1 ferido
  • Portão (Lauro de Freitas): 3 tiroteios, 1 mortos e 1 ferido
  • Águas Claras (Salvador): 3 tiroteios e 2 mortos
  • Costa Azul (Salvador): 3 tiroteios e 2 mortos
  • Engenho Velho de Brotas (Salvador): 3 tiroteios e 1 morto 

SOBRE O FOGO CRUZADO

O Fogo Cruzado é um Instituto que usa tecnologia para produzir e divulgar dados abertos e colaborativos sobre violência armada, fortalecendo a democracia através da transformação social e da preservação da vida. 

Com uma metodologia própria e inovadora, o laboratório de dados da instituição produz mais de 50 indicadores inéditos sobre violência nas regiões metropolitanas do Rio, do Recife, de Salvador e de Belém.

Através de um aplicativo de celular, o Fogo Cruzado recebe e disponibiliza informações sobre tiroteios, checadas em tempo real, que estão no único banco de dados aberto sobre violência armada da América Latina, que pode ser acessado gratuitamente pela APIdo Instituto ou dos relatórios produzidos mensalmente.

Foto: Reprodução