Prefeito Andrei Gonçalves foi convidado para a assinatura do acordo em Brasília. Projeto prevê ligar o Vale a Minas Gerais, abrir uma alternativa para o escoamento da produção do Oeste baiano e criar oportunidades para o turismo fluvial.
O prefeito de Juazeiro, Andrei Gonçalves, foi convidado pelo Ministério de Portos e Aeroportos para acompanhar a assinatura do convênio de descentralização operacional da Hidrovia do São Francisco (HN-500). A solenidade está marcada para quarta-feira (4 de novembro), às 10h, em Brasília, segundo a assessoria do prefeito. O acordo será assinado pelo ministro Tomé Franca e pelo governador Jerônimo Rodrigues e prevê que o governo baiano assuma a gestão da hidrovia por meio da Companhia das Docas do Estado da Bahia (Codeba). A data de início das viagens regulares de carga segue em aberto.
O ato recoloca em pauta uma vocação antiga de Juazeiro. Antes de a fruticultura irrigada projetar o Vale para o Brasil e o exterior, era pelo cais que a cidade se conectava a outros mercados. Os vapores levavam passageiros e mercadorias entre municípios ribeirinhos e faziam a ligação com Minas Gerais. O Saldanha Marinho, que fez sua viagem de experiência em 1871, tornou-se um símbolo dessa época.
Por onde vão passar as barcaças?
O corredor em estudo tem 1.371 quilômetros entre Pirapora (MG) e Juazeiro (BA) e Petrolina (PE), segundo a Codeba. O plano federal prevê começar pelo trecho que liga Juazeiro e Petrolina a Ibotirama, com passagem pela eclusa de Sobradinho, que permite às embarcações vencer o desnível da barragem. A etapa seguinte alcançaria Bom Jesus da Lapa e Cariacá, na Bahia, antes da extensão até Pirapora.
Uma das rotas estudadas dá a dimensão do que pode mudar. Soja, milho e algodão de Barreiras e Luís Eduardo Magalhães seguiriam por estrada até Ibotirama, seriam embarcados no São Francisco e chegariam a Juazeiro. Dali, poderiam seguir por terra até o Porto de Aratu-Candeias. O projeto também considera o embarque, em Remanso, de sal do Rio Grande do Norte com destino a Minas Gerais. No sentido inverso, café mineiro poderia chegar pelo rio a Juazeiro e Petrolina.
O que o Vale pode ganhar
O relatório preliminar da Infra S.A. aponta potencial de movimentação de até 5 milhões de toneladas no primeiro ano de operação. Em setembro, a Codeba informou ter concluído a manutenção de 12 embarcações, com capacidade de 700 toneladas cada, e de quatro rebocadores. Se os embarques ganharem escala e regularidade, o Vale pode atrair investimentos em armazéns, terminais e serviços de apoio à navegação, além de abrir postos de trabalho na operação portuária. A economia no frete dependerá do custo da viagem completa, incluindo os trechos rodoviários e a transferência da carga entre caminhões e barcaças.
Para sustentar essa operação ao longo do ano, será preciso conhecer a profundidade disponível nos períodos de seca, avaliar onde a dragagem pode ser necessária e planejar a navegação de acordo com as vazões do rio. Esses pontos já entraram nas discussões entre a Infra S.A. e o Comitê da Bacia do São Francisco, assim como a identificação das comunidades tradicionais que vivem ao longo do percurso.
Do cais dos vapores à rota do vinho
O turismo tem um precedente no próprio Vale. Lançado em 2011, o Vapor do Vinho reuniu em um roteiro a visita a Juazeiro, a navegação em Sobradinho e a experiência em uma vinícola de Casa Nova. É uma amostra de como a história dos vapores, a passagem pela eclusa e a produção de vinhos podem fazer parte da mesma viagem.
A prioridade do convênio é a navegação comercial. Para o turismo, a oportunidade dependerá de projetos próprios, com estrutura de embarque, segurança e articulação entre os municípios. Um circuito entre Juazeiro, Sobradinho e Casa Nova poderia dar ao visitante motivos para passar mais tempo na região e distribuir a renda do passeio entre barqueiros, guias, restaurantes, pousadas e vinícolas.
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