“A tecnologia não pode servir à violência”, reforça a presidente da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara
A vereadora Ireuda Silva (Republicanos), presidente da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara Municipal de Salvador, manifestou preocupação com os casos de homens que têm utilizado dispositivos eletrônicos de rastreamento, conhecidos como “tags”, para monitorar e perseguir mulheres.
Como alerta a vereadora, a prática, revelada em reportagem recente, pode configurar o crime de perseguição (stalking), previsto no artigo 147-A do Código Penal. Para Ireuda, o avanço da tecnologia deve caminhar lado a lado com mecanismos de proteção às mulheres, e não ser utilizado como instrumento de violência, intimidação e controle.
“A violência contra a mulher tem assumido novas formas, acompanhando as transformações tecnológicas. Esconder dispositivos de rastreamento em bolsas, carros ou pertences pessoais para vigiar a rotina de uma mulher é uma grave invasão de privacidade e uma forma de violência psicológica que não pode ser naturalizada”, afirmou Ireuda.
Controle
A vereadora destacou que muitos casos de perseguição são praticados por ex-companheiros que não aceitam o fim do relacionamento, utilizando recursos tecnológicos para manter o controle sobre a vítima.
“Esse comportamento revela uma tentativa de manter o domínio sobre a vida da mulher mesmo após o término da relação. É uma violência silenciosa, mas extremamente perigosa, que pode anteceder agressões ainda mais graves. Toda denúncia deve ser levada a sério pelas autoridades”, pontua.
Ireuda também reforçou a importância de as vítimas buscarem ajuda ao perceberem qualquer sinal de monitoramento indevido, registrando ocorrência policial e solicitando medidas protetivas quando necessário.
“É fundamental que as mulheres saibam que não estão sozinhas. Existem instrumentos legais para protegê-las e é preciso denunciar. Quanto mais cedo essa perseguição for interrompida, maiores são as chances de evitar a escalada da violência”, reforça.

