O ex-presidente do Tribunal de Justiça da Bahia (TJBA), desembargador aposentado Carlos Alberto Dultra Cintra, morreu na madrugada desta terça-feira (24), aos 82 anos. Ele enfrentava um câncer de pulmão e, segundo informações apuradas, teve o quadro de saúde agravado nos últimos meses.
Natural de Ipirá, no interior baiano, Dultra Cintra construiu uma trajetória marcada por protagonismo institucional e embates políticos que deixaram marcas na história do Judiciário estadual.
Trajetória no Ministério Público e ascensão ao TJBA
Formado em Direito pela Universidade Federal da Bahia (UFBA) em 1967, iniciou a carreira como promotor de Justiça, com passagens por Ubatã, Catu e Salvador. Em 1991, foi eleito procurador-geral de Justiça na primeira eleição direta realizada pela classe para o cargo na Bahia — um marco para o Ministério Público estadual.
Em 1994, assumiu o cargo de desembargador pelo quinto constitucional, na vaga destinada ao Ministério Público, passando a integrar o pleno do TJBA.
Presidência marcada por enfrentamentos políticos
Dultra Cintra presidiu o TJBA no biênio 2002-2004. À época, o grupo político liderado por Antônio Carlos Magalhães exercia forte influência nos bastidores do poder na Bahia. O magistrado, no entanto, protagonizou embates em defesa da autonomia do Judiciário, postura que o colocou como um dos nomes mais emblemáticos daquele período.
Durante sua gestão, a sede do tribunal foi transferida para o Centro Administrativo da Bahia (CAB), consolidando mudanças estruturais na organização do Judiciário estadual.
Além de presidir o TJBA, também comandou o Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE-BA) entre 2004 e 2006, tendo ainda ocupado a vice-presidência da Corte em outras ocasiões.
Aposentadoria
O desembargador se aposentou em 2014, após mais de 20 anos dedicados à magistratura e outras duas décadas de atuação no Ministério Público.
Até o momento, não foram divulgadas informações sobre velório e sepultamento.

