Obesidade já atinge 1 em cada 5 crianças no mundo e pode superar desnutrição até 2027

A obesidade infantil avança em ritmo acelerado em todo mundo e tem preocupado especialistas em saúde pública no mundo. Um relatório divulgado pela World Obesity Federation (Federação Mundial da Obesidade) aponta que a doença já atinge uma em cada cinco crianças entre 5 e 19 anos. Ainda segundo os dados divulgados, a prevalência da doença entre esses jovens cresceu 20,7%.

A projeção indica que, até 2027, o número de crianças e adolescentes na faixa do sobrepeso deve superar a desnutrição. O cenário preocupa médicos do mundo inteiro, pois o excesso de peso na infância representa um fator de risco para diversas doenças ao longo da vida. O acúmulo excessivo de gordura corporal pode aumentar o risco de problemas como hipertensão, diabetes e até alguns tipos de doenças cardiovasculares.
   

De acordo com o Dr. Bruno Barreto, médico do Núcleo GA, o crescimento da obesidade infantil está diretamente ligado a mudanças no estilo de vida das novas gerações. “A obesidade infantil cresce principalmente pela combinação de alimentação ultraprocessada, excesso de telas e redução da atividade física. As crianças estão consumindo mais calorias e gastando menos energia”, explica.
   

No Brasil, a estimativa é que 16,5 milhões de crianças e adolescentes de 5 a 19 anos estivessem com sobrepeso ou obesidade em 2025, equivalente a 38,4% da população nessa faixa etária. Para 2040, a estimativa da Federação Mundial de Obesidade é que o percentual ultrapasse 50%. Bruno destaca que o ambiente favorece escolhas pouco saudáveis. “Hoje existe grande oferta de alimentos industrializados e um marketing muito direcionado ao público infantil. Em resumo, as crianças estão vivendo em um ambiente que favorece o ganho de peso”, afirma.
   

Diante desse cenário, o médico reforça que a prevenção precisa começar cedo e envolve principalmente mudanças no ambiente familiar. Porém, além do papel dos pais e responsáveis, o acompanhamento profissional também é essencial. “A prevenção começa em casa. As famílias têm papel fundamental porque moldam hábitos alimentares e de estilo de vida. Os profissionais da saúde entram no papel de ajudar na identificação precoce, orientação e no acompanhamento adequado. Quanto mais cedo a intervenção acontece, maior a chance de evitar complicações no futuro”, conclui.