Olodum: quando o tambor faz a gente se sentir em casa

Por Taty Hayne

“O Olodum tá hippie.Olodum tá pop”… E não, não pirou de vez (pega a referência musical). O Olodum está mais lúcido, mais autêntico e, ao mesmo tempo, mais forte culturalmente do que nunca.

A Terça da Benção é um termômetro delicioso da Bahia raiz, aquela que mistura o povo baiano com os turistas, sem esforço, sem fantasia. Tudo acontece na batida do tambor. Você sente, ouve e pulsa a percussão no corpo inteiro. É simples, é tradicional, é básico. E justamente por isso entrega tanto. A raiz cultural se manifesta ali com força ancestral, sem precisar ser espetaculosa.

Fui nos dois ensaios do Olodum deste ano. Não gosto de comparações, mas é um dos poucos ensaios em que eu realmente me sinto em casa. Eu, de Salvador, baiana, quando estou ali, estou em casa. Existe uma energia soteropolitana concentrada naquele espaço, uma Salvador que não se explica, se vive.

Talvez seja por isso que os turistas gostem tanto. Porque, por algumas horas, você deixa de observar a cidade e passa a fazer parte dela. Você vira um pouco baiano, mesmo que só por uma noite.

Nesta edição, o ensaio contou com referências que atravessam gerações da música baiana, como a banda É o Tchan e a cantora Gil Melândia, trazendo ainda mais alegria, dança e memória afetiva para a noite. Foi leve, divertido, gostoso de viver, daqueles momentos que o corpo entende antes da razão.

Tudo isso acontece na Praça das Artes, no coração do Pelourinho. Um espaço que acolhe. Dá para assistir ao show, dançar, circular, se divertir sem aperto. Bem policiado, seguro, familiar. Um lugar onde crianças, adultos, moradores e visitantes convivem olhando a banda de perto, sentindo cada batida, cada canto, cada resposta do tambor.

Eu sempre saio assim: em êxtase. Feliz. Cada vez mais certa de que pertenço a essa terra. À minha Salvador.

Se puder, vá. A Benção do Olodum é um verdadeiro banho de axé. Para quem mora aqui e para quem quer carimbar esse passaporte afetivo da cidade.

SERVIÇO — Benção DO OLODUM

Local: Praça das Artes – Pelourinho
Abertura dos portões: a partir das 19h
Dias: terças-feiras
Temporada: segue até fevereiro

Foto: Taty Hayne