Por Anderson Santos
Ao eleitor que não se considera petista nem bolsonarista, esta eleição apresenta uma pergunta maior do que simplesmente escolher entre dois nomes: que ciclo político o Brasil deseja construir para os próximos anos?
Uma eventual disputa entre Flávio Bolsonaro e Lula carrega justamente essa dimensão.
Lula é muito mais que um candidato. Depois de décadas no centro da política nacional, tornou-se a principal liderança eleitoral e o maior símbolo vivo da esquerda brasileira. A esquerda evidentemente não desapareceria com uma derrota de Lula. Suas ideias, partidos e movimentos continuariam existindo.
Mas derrotar eleitoralmente sua maior liderança poderia produzir algo diferente: encerrar um ciclo de poder e obrigar esse campo político a se reorganizar para uma era pós-Lula.
É nesse ponto que argumento e defendo o voto em Flávio Bolsonaro.
Esse voto não precisa representar adesão integral ao bolsonarismo. Pode representar uma escolha estratégica pela alternância de poder e pela abertura de um novo ciclo político, inclusive para quem mantém divergências importantes com Flávio.
A mudança também teria consequências institucionais. As vagas que surgirem no Supremo Tribunal Federal serão preenchidas por indicação do presidente, sujeita à aprovação do Senado. E um Senado fortalecido pela relação com um Presidente de Centro-Direita, exerce papel fundamental no equilíbrio entre os Poderes.
Há ainda uma questão econômica que deveria interessar particularmente ao centro democrático.
O Brasil precisa abrir espaço para um projeto que combine liberdade econômica, responsabilidade fiscal, segurança jurídica, incentivo ao investimento e ao empreendedorismo com desenvolvimento social, geração de oportunidades e redução das desigualdades.
A Odisseia oferece uma metáfora interessante. Para retornar a Ítaca, Odisseu precisa atravessar o estreito entre Cila e Caríbdis. Não havia alternativa perfeita. Existiam riscos diferentes, e era necessário avaliar qual deles enfrentar para continuar a viagem.
Democracias também colocam cidadãos diante de escolhas imperfeitas.
Por isso, quem considera votar em Flávio Bolsonaro pode formular sua decisão não apenas perguntando “Flávio representa tudo aquilo em que acredito?”, mas também examinando outra questão:
qual resultado produziria a mudança de ciclo que considero necessária para o Brasil?
Essa é uma decisão que pertence exclusivamente ao eleitor.
Mas existe uma diferença importante entre votar por identificação absoluta com um candidato e votar considerando as consequências políticas e institucionais de cada alternativa.
Às vezes, uma eleição escolhe simplesmente quem governará pelos próximos quatro anos.
Outras eleições determinam qual ciclo termina — e qual poderá começar.
Por um novo ciclo de liberdade, progresso e desenvolvimento ao país, vote Flávio.