Senador chega a 42% contra 40% do presidente, consolida trajetória de crescimento e, pela primeira vez na campanha, aparece numericamente à frente de Lula na disputa direta pelo Planalto
A nova pesquisa Quaest, divulgada nesta segunda-feira (14), acrescenta um dado de forte impacto à corrida presidencial de 2026. Pela primeira vez durante a campanha, Flávio Bolsonaro (PL) aparece numericamente à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em uma simulação de segundo turno.
Flávio alcançou 42% das intenções de voto, contra 40% de Lula. Como a margem de erro é de dois pontos percentuais, o cenário permanece tecnicamente empatado. Ainda assim, a inversão das posições ganha peso político pela trajetória registrada nas últimas rodadas. Na pesquisa anterior, os dois apareciam empatados com 41%.
O movimento fica ainda mais evidente quando se amplia a comparação. Em 26 de julho, Lula registrava 45% e Flávio 37%, vantagem de oito pontos para o petista. Agora, pouco mais de um mês depois, Flávio aparece dois pontos numericamente à frente.
No primeiro turno, Lula ainda lidera, com 36%, mas Flávio avançou para 31%, reduzindo a distância para cinco pontos — a menor registrada pela Quaest entre os dois nesse cenário.
Nordeste ainda é de Lula, mas vantagem já não reproduz 2022
Um dos pontos importantes para compreender a disputa está justamente no Nordeste, principal reduto eleitoral de Lula nas últimas eleições.
Na simulação de segundo turno da Quaest, o presidente mantém vantagem expressiva na região, com 60% contra 28% de Flávio Bolsonaro. Entretanto, a comparação com 2022 chama atenção: naquele segundo turno, Lula conquistou 69,34% dos votos válidos nordestinos, contra 30,66% de Jair Bolsonaro. Os percentuais das pesquisas atuais não são diretamente comparáveis aos votos válidos das urnas, porque incluem brancos, nulos e indecisos, mas os levantamentos apontam para uma vantagem regional menos confortável para o petista.
Há outro sinal de alerta. Segundo a Quaest, a desaprovação do governo Lula no Nordeste passou de 30% em janeiro para 35% em setembro, justamente quando a campanha entra em sua fase decisiva.
A Bahia merece atenção especial nessa equação. Em 2022, Lula obteve 72,1% dos votos no estado no segundo turno presidencial, construindo uma vantagem superior a quatro milhões de votos sobre Jair Bolsonaro. Foi uma das bases fundamentais para sua vitória nacional.
Em 2026, Lula continua amplamente favorito entre os baianos — a Quaest de 27 de agosto apontou 50% para Lula e 17% para Flávio no primeiro turno —, mas o cenário estadual mostra uma disputa muito mais equilibrada entre PT e oposição.
Na mesma Quaest, ACM Neto apareceu com 39% contra 37% do governador Jerônimo Rodrigues no primeiro turno e 44% a 41% numa eventual decisão entre os dois, ambos os cenários dentro da margem de erro. Pesquisa RealTime Big Data divulgada posteriormente também mostrou equilíbrio, embora com Jerônimo numericamente à frente: 45% a 44%.
Esse ambiente pode ter reflexos importantes na eleição presidencial. A força eleitoral de ACM Neto e de uma oposição estadual mais competitiva pode dificultar a repetição, na Bahia, da enorme diferença que Lula construiu em 2022. O chamado voto cruzado, inclusive, já aparece na campanha: eleitores que admitem votar em Lula para presidente e ACM Neto para governador, fenômeno que ganhou o apelido de “LuNeto”.
Para Flávio Bolsonaro, portanto, a tarefa no Nordeste não necessariamente passa por vencer Lula na região. Reduzir a diferença pode ser suficiente para alterar a matemática nacional, principalmente se mantiver vantagens expressivas nas regiões onde hoje lidera.
E é justamente aí que a nova Quaest chama atenção. No Sudeste, Flávio registra 47% contra 31% de Lula, vantagem de 16 pontos na região mais populosa do Brasil. Há cerca de 40 dias, essa diferença era de apenas dois pontos. No Sul, Flávio também lidera, com 52% contra 30%.
A combinação é eleitoralmente relevante: ampliar margens no Sul e Sudeste e, ao mesmo tempo, impedir que Lula reproduza no Nordeste vantagens semelhantes às de 2022.
A fotografia atual ainda não permite apontar antecipadamente um vencedor, já que os 42% a 40% configuram empate técnico. Mas a trajetória das pesquisas mostra uma mudança inequívoca: Flávio saiu de uma desvantagem de oito pontos no fim de julho, alcançou Lula e agora aparece, pela primeira vez, numericamente à frente.
Caso os percentuais da Quaest fossem reproduzidos nas urnas, Flávio Bolsonaro venceria Lula no segundo turno.
A menos de um mês da votação, portanto, o cenário deixa de ser apenas de aproximação. A possibilidade de Flávio Bolsonaro derrotar Lula e chegar à Presidência da República passa a ser uma hipótese concreta dentro da atual fotografia eleitoral.
A Quaest ouviu presencialmente 2.004 eleitores entre os dias 10 e 13 de setembro. A margem de erro é de dois pontos percentuais, com nível de confiança de 95%. O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-03607/2026.

