Rejeição acende alerta para Lula e empate com Flávio Bolsonaro transforma reta final da eleição

Quaest mostra presidente com 53% de rejeição e governo desaprovado por metade dos brasileiros; vantagem sobre Flávio desaparece no segundo turno e aumenta a imprevisibilidade da disputa pelo Planalto

A menos de um mês do primeiro turno das eleições presidenciais, um indicador que costuma ganhar importância à medida que as campanhas avançam passou a ocupar posição central na disputa pelo Palácio do Planalto: a rejeição.

A nova pesquisa Quaest, divulgada nesta segunda-feira (7), mostra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com 53% de rejeição, enquanto 50% dos entrevistados desaprovam seu governo. A aprovação da gestão aparece em 43%. Flávio Bolsonaro (PL), principal adversário do petista, também enfrenta uma barreira expressiva e registra rejeição de 55%.

Mais do que observar isoladamente os percentuais, entretanto, a reta final de uma eleição exige atenção à direção das curvas. E é justamente nesse ponto que os números trazem um sinal de alerta para a campanha governista.

Lula continua liderando o cenário estimulado de primeiro turno, com 36% das intenções de voto, contra 29% de Flávio Bolsonaro. Augusto Cury (Avante) aparece com 8%, enquanto os demais candidatos registram percentuais menores.

O quadro muda substancialmente quando a pesquisa projeta o segundo turno. Lula e Flávio aparecem numericamente empatados, com 41% cada. Brancos, nulos ou eleitores que afirmam que não votariam representam 13%, enquanto 5% permanecem indecisos.

O resultado ganha ainda mais relevância quando comparado às rodadas anteriores. Em agosto, Lula ainda conservava vantagem sobre Flávio em uma eventual segunda etapa. Nos levantamentos seguintes, porém, essa distância foi diminuindo até desaparecer na pesquisa divulgada nesta segunda-feira.

É justamente a sequência dos levantamentos — e não apenas a fotografia isolada de uma pesquisa — que merece atenção.

Rejeição pode estabelecer um teto eleitoral

Em campanhas polarizadas, a intenção de voto revela onde o candidato está; a rejeição ajuda a indicar até onde ele poderá chegar. Quanto mais consolidado estiver o contingente de eleitores que afirma não votar em determinado nome, maior tende a ser a dificuldade de expansão na reta final, especialmente em um segundo turno, quando conquistar os votos das candidaturas eliminadas passa a ser decisivo.

Para Lula existe ainda um componente adicional: diferentemente de um candidato de oposição, o presidente disputa a eleição carregando simultaneamente a avaliação de sua candidatura e o julgamento de seu próprio governo.

Segundo a Quaest, 38% classificam a administração federal negativamente, contra 34% que a consideram positiva e 25% regular. Na economia, 49% afirmam que a situação do país piorou nos últimos 12 meses, 29% consideram que permaneceu igual e 19% percebem melhora.

Nesse contexto, a campanha presidencial passa gradativamente a assumir também características de um plebiscito sobre a continuidade do atual governo.

Flávio também enfrenta seu próprio teto

Os números, entretanto, não permitem uma leitura unilateral. Se a rejeição de Lula representa uma dificuldade para sua tentativa de reeleição, Flávio Bolsonaro também possui um obstáculo considerável: seus 55% de rejeição são superiores aos 53% registrados pelo presidente.

Isso significa que os dois principais candidatos chegam à fase decisiva enfrentando forte resistência de parcela significativa do eleitorado.

A diferença política está no movimento recente da disputa. Lula permanece à frente no primeiro turno, mas a distância em uma eventual segunda etapa foi sendo reduzida até desaparecer numericamente.

Esse movimento não significa que a eleição esteja definida em favor da oposição. Significa, entretanto, que uma vitória de Flávio Bolsonaro deixou de ser apenas uma hipótese distante e passou a estar objetivamente dentro dos cenários apresentados pelas pesquisas.

Eleição entra em terreno aberto

A Quaest ouviu presencialmente 2.004 eleitores entre os dias 3 e 6 de setembro. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-01720/2026.

A pesquisa também apresenta elementos favoráveis ao atual presidente. Além de liderar o primeiro turno, Lula mantém vantagem numérica nos demais confrontos de segundo turno testados pelo levantamento.

É contra Flávio Bolsonaro, portanto, que o equilíbrio chega ao limite.

Em uma eleição marcada pela polarização, a rejeição pode se tornar tão importante quanto a própria intenção de voto. Um candidato precisa consolidar sua base, mas também necessita encontrar espaço para crescer fora dela. Quando mais da metade do eleitorado afirma que não votaria em determinado nome, a capacidade de conquistar novos votos passa a ser uma variável decisiva.

Faltando poucas semanas para as urnas, Lula ainda lidera o primeiro turno. Mas já não possui, segundo a Quaest, vantagem sobre seu principal adversário numa eventual decisão.

O empate de 41% a 41% não decreta vencedor nem permite antecipar o resultado de outubro. Revela, contudo, algo politicamente relevante: a eleição está aberta — e a possibilidade de alternância de poder no Palácio do Planalto passou a caber dentro dos números.