Número foi alcançado quase um mês antes do ano passado; mortes já são 5% maiores que no mesmo período de 2024, segundo Fogo Cruzado.
Salvador e RMS ultrapassaram, nesta terça-feira (25/11), a marca de 500 pessoas mortas em ações e operações policiais em 2025, segundo dados do Instituto Fogo Cruzado. O número foi alcançado 24 dias antes de 2024, quando o estado atingiu o mesmo patamar apenas em 19 de dezembro.
O marco ocorre pouco mais de um mês após o Governo do Estado publicar o Plano de Atuação Qualificada de Agentes do Estado (PQUALI), que estabelece metas e ações para reduzir a letalidade policial nos próximos três anos.
Cenário atual da letalidade em ações policiais
- 2025 (até 25 de novembro): 501 mortos em ações/operações policiais em Salvador e RMS e 95 mortos em 25 chacinas policiais;
- 2024 (até 25 de novembro): 477 mortos em ações/operações policiais em Salvador e RMS e 46 mortos em 13 chacinas policiais;
- 2024 (ano inteiro): 514 mortos em ações/operações policiais Salvador e RMS e 55 mortos em 16 chacinas policiais;
- As unidades Rondesp estavam presentes em ações policiais que concentram 43% das mortes registradas nessas ocasiões em Salvador e RMS.
O aumento de 5% em relação ao mesmo período dos dois anos anteriores (477 em 2023 e 477 em 2024) sinaliza que 2025 pode terminar com recorde em mortos em ações policiais.
Perfil das vítimas 2025
- 494 homens, 7 mulheres;
- 11 adolescentes, 489 adultos, 1 idoso;
- Entre as vítimas identificadas racialmente (53%), 100% são pessoas negras.
Segundo a Coordenadora Regional do Instituto Fogo Cruzado na Bahia, Tailane Muniz, o PQUALI representa um avanço institucional importante. “Os dados mostram a importância do plano. É uma resposta a uma demanda antiga da sociedade civil, que há alguns anos cobra diretrizes claras para enfrentar este cenário. O plano chega em boa hora: reconhecer o problema é, invariavelmente, o primeiro passo para resolvê-lo. Agora, nos preocupa as metas que podem ser tímidas diante do quadro que temos hoje”, afirma.
O plano estabelece meta de reduzir em 10% por semestre as mortes decorrentes de ações policiais pelos próximos três anos e prevê ações como:
- Capacitar 30% dos profissionais de segurança para prevenção de letalidade;
- Ampliar em 30% o uso de câmeras corporais;
- Oferecer atendimento psicológico integral aos agentes envolvidos repetidamente em confrontos com morte;
- Elevar a conclusão de inquéritos: 50% até 2026 e 70% até 2027.
No entanto, segundo Tailane, “a ambição do plano contrasta com a dimensão da crise”. A Bahia lidera o ranking nacional de mortes decorrentes de ação policial desde 2022. Em 2023, foram registrados mais de 1.700 mortos no estado.
Como ressalta Tailane Muniz, “a sociedade deve acompanhar de perto, cobrar e exigir metas mais ousadas, capazes de, de fato, alterar um cenário em que a letalidade policial não tem se traduzido em maior segurança para a população”.
SOBRE O FOGO CRUZADO
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Com uma metodologia própria e inovadora, o laboratório de dados da instituição produz mais de 50 indicadores inéditos sobre violência nas regiões metropolitanas do Rio, do Recife, de Salvador e de Belém.
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