Wagner mudou a estrutura do Estado e colocou novas agendas sociais no centro do governo

Quando Jaques Wagner assumiu o governo da Bahia, em 2007, uma das mudanças mais importantes não estava em uma obra física, mas na própria organização do Estado. Seu governo criou e fortaleceu estruturas voltadas à relação com a sociedade, à igualdade racial, às mulheres e à assistência social, incorporando essas agendas de forma permanente à administração pública.

A criação da Secretaria de Relações Institucionais (Serin), da Secretaria de Promoção da Igualdade Racial (Sepromi) e, depois, da Secretaria de Políticas para as Mulheres (SPM) ajudou a transformar demandas históricas em políticas de Estado. No governo Rui Costa, essas secretarias continuavam integradas à estrutura oficial do Executivo, sinal de que o desenho iniciado por Wagner havia se consolidado.

O efeito apareceu na ponta. Na assistência social, os Centros de Referência de Assistência Social (Cras), que alcançavam 175 municípios em 2006, passaram a estar presentes nos 417 municípios baianos em 2022. Os Creas, voltados a situações de violência e violação de direitos, cresceram de 48 para 233 municípios. Mais que ampliar prédios e equipes, essa rede criou portas permanentes de acesso a direitos e acompanhamento social.

Na política para as mulheres, a institucionalização abriu caminho para ações articuladas entre diferentes órgãos. A Ronda Maria da Penha, criada em 2015, reuniu Segurança Pública, SPM, Tribunal de Justiça, Ministério Público e Defensoria no acompanhamento de medidas protetivas e atendimento a vítimas de violência. Até maio de 2022, quase 15 mil pessoas haviam sido atendidas e mais de 89 mil medidas protetivas fiscalizadas.

Na igualdade racial, o Estado também passou a oferecer instrumentos próprios de atendimento. O Centro de Referência Nelson Mandela ampliou os canais para registro e acompanhamento de casos de racismo e intolerância religiosa. Levantamentos associam o aumento dos registros à expansão desses canais e das campanhas de conscientização.

Rui Costa manteve essa arquitetura e ampliou políticas que dependiam dela. Jerônimo Rodrigues seguiu o mesmo caminho, preservando as estruturas e mantendo investimentos em áreas como proteção às mulheres, igualdade racial, assistência social e articulação territorial.

Foto: Evertton Pacheco